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Entrevista a António de Sousa Pereira, Presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas

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Imagem cedida pelo entrevistado

Já te questionaste sobre a pertinência do Ensino Superior atualmente? Como fazer uma escolha consciente? Ou como é que as Instituições de Ensino Superior se adaptam às novas necessidades de um mercado de trabalho cada vez mais dinâmico? Para responder a estas e outras dúvidas que possas ter neste momento, falámos com António de Sousa Pereira, Reitor da Universidade do Porto e Presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas!

Com o mundo, a cultura e a informação facilmente acessível através da internet, em que medida frequentar o ensino superior continua a ser enriquecedor e determinante para o futuro dos jovens?

A internet é seguramente uma janela para o conhecimento e um importante instrumento pedagógico, mas por si só não garante uma formação consistente, credível e rigorosa. Frequentar o ensino superior, pelo contrário, possibilita um processo de aprendizagem sólido, crítico e reflexivo, com base na interação professor-estudante, no estudo de teorias e conceitos, na experimentação científica e na prática projetual. Deste modo, os estudantes do ensino superior adquirem conhecimento especializado, desenvolvem capacidades técnicas e intelectuais, apuram o sentido crítico, ganham competências diferenciadoras e absorvem metodologias de investigação científica. Ora, tudo isto é determinante para o futuro dos jovens, na medida em que lhes facilita o acesso a um mercado de trabalho hiperespecializado, com grande intensidade de conhecimento e tecnologia.

Com um conjunto de opções progressivamente maior, os alunos do 12º ano deparam-se frequentemente com dificuldades na escolha do curso superior. De que forma podem os jovens desta nova geração fazer uma escolha consciente e fiel aos seus interesses?

Os alunos devem, antes de mais, obter informação rigorosa e esclarecedora sobre os cursos do seu interesse, de molde a conhecerem não só as exigências de ingresso (nomeadamente, a classificação do último colocado no ano letivo anterior) como também os planos curriculares, os programas letivos, os modelos pedagógicos e as saídas profissionais. Com todos estes dados, os alunos ficam mais habilitados para perceber se os cursos em causa se adequam, de facto, às suas capacidades intelectuais, competências escolares e interesses pessoais. Por vezes, os cursos superiores são escolhidos por questões de moda, de reconhecimento social ou de suposto enriquecimento rápido, quando não resultam de uma imposição dos pais… Uma reflexão mais ponderada e sustentada poderá evitar estes duvidosos critérios de escolha e prevenir, assim, o abandono escolar precoce ou o arrastar da conclusão dos cursos por manifesta inadequação, desinteresse ou frustração do aluno.

A pandemia mudou o mundo em vários aspetos e o mercado de trabalho está numa fase de reajuste. Os novos alunos encontrarão instituições de ensino preparadas e adaptadas às novas necessidades e exigências?

Sem dúvida que sim. Por um lado, as universidades adotaram práticas pedagógicas mais inovadoras e com uma forte presença tecnológica, orientando assim o processo de ensino-aprendizagem para o desenvolvimento de competências adequadas à transição digital da sociedade e da economia. Por outro lado, o ensino nas universidades é cada vez mais apoiado nas atividades de I&D, para que o estudante não seja um mero recetor passivo de conteúdos pedagógicos mas, sim, um elemento ativo na descoberta, ou mesmo produção, do conhecimento. Isto implicou a generalização de modelos pedagógicos baseados em projetos, através dos quais se desenvolvem a autoaprendizagem e o trabalho em equipa. Por fim, as universidades estão a promover a multi e interdisciplinaridade curricular, designadamente com uma maior oferta de cursos com multititulação, ou seja, ciclos de estudos que envolvem diferentes unidades orgânicas da mesma ou de outras instituições. É desta forma possível cruzar diferentes áreas científicas, proporcionando aos estudantes uma formação mais abrangente e multidisciplinar.

De que forma os alunos podem enriquecer-se profissional, académica e pessoalmente durante a sua passagem pelo ensino superior de modo a aproveitarem esta experiência na sua plenitude?

Os estudantes não devem encarar a universidade apenas como um espaço de transmissão de conhecimento. Há toda uma vivência social, cultural e cívica nas universidades que é determinante para a sua formação enquanto cidadãos conscientes do seu papel na sociedade. Neste sentido, os estudantes devem fazer das universidades territórios de socialização, intervenção cívica e crescimento intelectual. A passagem pelo ensino superior traduzir-se-á, assim, numa formação mais aberta, humanista, relacional e pluridimensional, indo para lá da especialização profissionalizante. É também importante que os estudantes procurem aceder a programas de mobilidade, no âmbito dos quais podem frequentar um período de estudos em universidades internacionais. Os programas de mobilidade representam uma oportunidade ímpar de valorização pessoal e enriquecimento curricular, ao possibilitarem aos estudantes o contacto com outras realidades académicas, científicas e culturais.

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