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Entrevista a Filinto Lima: “A escola é um elevador social que agora se move muito mais devagar”

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A pandemia fez emergir problemas sociais e educativos na nossa sociedade civil. O acesso aos meios digitais que permitem acompanhar as aulas à distância são apenas parte de um problema maior.

Filinto Lima, licenciado em Direito, Professor, Diretor do Agrupamento de Escolas Dr. Costa Matos, Vila Nova de Gaia e Presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, deu uma entrevista à Mais Educativa na qual aborda os problemas educativos e sociais que agora emergiram, o futuro da profissão de docente no nosso país, e o caminho a percorrer para acautelar junto dos mais jovens, as aprendizagens transversais, na sua dimensão mais humana e social, que neste momento sofreram uma modificação, fruto da necessidade de manter o distanciamento social pela saúde de todos nós.

1- Neste momento o ensino à distância regressou por tempo indeterminado. Há uma maior preparação por parte das Escolas, professores e alunos para lidar com o ensino à distância face ao primeiro confinamento? O que mudou?

Importa frisar que o ensino à distância, ou melhor, o ensino remeto de emergência só foi implementado devido a um bem maior: a Saúde. Este é um ensino com diversos constrangimentos. Neste momento, estamos mais bem preparados em termos quantitativos e qualitativos. Quantitativamente, temos agora mais computadores, em consequência do trabalho das escolas, das autarquias, do movimento associativo de pais que facultaram muitas unidades para os nossos alunos. A sociedade civil uniu-se igualmente para conseguir este material digital, e nesse sentido, houve uma melhoria evidente face ao ano passado. Contudo, ainda há um número considerável de alunos que não têm acesso a estes equipamentos, que são fundamentais para esta modalidade de ensino e muitos não têm também rede de internet, especialmente no interior do país, onde o sinal é mais fraco, e em vista disso, esta é também uma situação preocupante que carece de solução governamental.

Em termos qualitativos, aponto melhorias. Os nossos professores estão mais bem preparados e têm uma maior literacia digital em comparação com há 1 ano, tal como acontece com os nossos alunos. Dominamos melhor os softwares, conhecemos melhor as funcionalidades das plataformas, inclusive usamos mais frequentemente o digital em contexto real de sala de aula. Mesmo os professores que eram mais resistentes ao uso das tecnologias, começaram a tê-las como indispensáveis no exercício da sua profissão. Lamentável é que muitos dos computadores das escolas estejam obsoletos, e muitos deles não tenham sequer câmara.

O que se pede à tutela é que, priorizando os nossos alunos não esqueçam as suas escolas, e muito importante, os professores. Não é compreensível que o governo coloque os professores em casa com o seu computador pessoal, a sua rede de internet doméstica, a gastar da sua eletricidade. Em suma, é preciso mudar e melhorar estes aspetos negativos do ensino à distância. Houve uma mudança para melhor, sim, mas esta deve ser programada antecipada e mais eficazmente do que tem vindo a acontecer.

2- É menos falado pela comunicação social e sociedade em geral, mas a verdade é que, a par de muitos alunos, há também professores com lacunas no que diz respeito ao material informático ou acesso à internet. Esta foi uma situação acautelada pelas escolas e Ministério neste segundo confinamento?

Eu sou de Gaia e, na minha cidade, a Câmara Municipal cedeu um computador a cada professor do 1.º ciclo e a cada educadora da educação pré-escolar. Pelo efeito, eu enquanto diretor não estou, de momento, preocupado com os professores e educadoras do 1.º ciclo ou do pré-escolar, porque lhes foram cedidos bons computadores pela Autarquia, mas os professores do 5.º ano em diante do agrupamento não tiveram direito ao mesmo benefício, a que o ministério da Educação deveria atender. A minha escola teve de socorrer três professores que pelos mais diversos motivos não possuíam aparelho tendo de ir a casa levar-lhes o material preciso para darem as suas aulas.

As autarquias desenvolvem muita da sua intervenção ao nível do 1.º ciclo e pré-escolar, e no caso de Gaia fizeram-na valer junto dos professores destes níveis de ensino. O que eu espero é que a tutela acuda aos professores que não estão abrangidos por este apoio, e lhes faculte o material de que necessitam para exercer as suas funções, tal como acontece em qualquer empresa da parte da entidade patronal. Estaria a dizer o mesmo se não vivêssemos, neste momento, em situação de pandemia, porque o confinamento fez emergir de forma mais evidente, uma necessidade que já era sentida há muito na Educação.

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