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Entrevista a António Valadas da Silva, Presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP)

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“Não desperdicem oportunidades e novas experiências. São elas que podem levar ao realizar dos sonhos”

Aprender ao longo da vida e apostar na atualização constante dos teus conhecimentos são dois lemas que deves interiorizar para teres sucesso no mercado de trabalho. Quem o diz é António Valadas da Silva, Presidente do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), numa entrevista onde te dá a conhecer as medidas e os programas desta entidade para a preparação para a vida profissional, e onde reforça a importância que pode ter a orientação profissional nesta fase da tua vida.

Qual deve ser o equilíbrio entre a vocação de cada um e a empregabilidade das áreas formativas e dos cursos? O que deve pesar mais?

Mais que tentar “equilibrar” a vocação e a empregabilidade, os jovens devem ter uma profunda consciência da importância da aprendizagem ao longo da vida e da necessidade de uma permanente atualização de conhecimentos para fazer face às exigências de um mercado de trabalho cada vez mais competitivo. Em cada momento, os jovens devem procurar fazer escolhas informadas tendo em consideração obviamente aquilo que os motiva, mas também a realidade e a evolução do mercado de trabalho. Na verdade, um percurso profissional está muito ligado ao próprio percurso de vida e às diferentes escolhas que são feitas em vários momentos da vida.

Como deve um formando proceder no caso de não haver uma noção clara da sua vocação, nem de informação concreta sobre quais os cursos com maior taxa de emprego? De que forma podem contornar estes obstáculos?

Diria que os jovens devem definir claramente os seus objetivos e manter uma atitude individual positiva e pró-ativa que lhes permita encarar todas as experiências profissionais como formas de enriquecimento pessoal e profissional, admitindo que às vezes para se alcançar um determinado objetivo têm de se seguir outros caminhos ou alcançar outras etapas. Porventura, não vão encontrar tão rapidamente aquele emprego que um dia imaginaram, mas é importante que não desperdicem oportunidades e a possibilidade de novas experiências, porque estas poderão conduzir mais tarde à realização de atividades mais motivadoras e à concretização dos sonhos. Como disse, não creio que as escolhas profissionais se devam limitar ao conhecimento da vocação e aos fatores de empregabilidade, embora estes sejam de facto muito importantes. Existem um conjunto de outros fatores que são também relevantes no processo dessa escolha, (por ex. o contexto socioeconómico, a expectativa, o interesse, etc.) e para o qual a ajuda de um especialista em orientação profissional pode ser preciosa.

No IEFP, através de uma intervenção estruturada, adaptada às suas características e necessidades específicas, o jovem, ou o adulto, pode delinear um percurso formativo que corresponda, entre outros, aos seus valores, expetativas e interesses, mas também ao dinamismo do mercado de trabalho e à necessidade de aprender ao longo da vida.

Hoje em dia, a licenciatura é muitas vezes tida como requisito mínimo para o exercício da grande maioria dos trabalhos qualificados. É de facto assim, ou existem outras opções formativas que permitam o acesso ao mercado de trabalho?

A empregabilidade dos cursos profissionais, não sendo naturalmente absoluta, tem-se revelado, em geral, muito satisfatória, e mesmo muito boa em áreas mais críticas para a economia nacional, designadamente na indústria e nos serviços avançados às empresas ou aos particulares, o que aliás bem se compreende tendo em conta a formação teórica que é ministrada por formadores dedicados e muito qualificados nas respetivas áreas, e sobretudo a formação prática em contexto de trabalho de que beneficiam muitos dos nossos formandos e que constitui uma efetiva mais valia e um fator distintivo no momento da sua inserção profissional.

Um aluno que opte por um Curso de Aprendizagem ou por um CET é valorizado pelo tecido empresarial face a quem completa o percurso “tradicional” de ensino? De que forma?

É óbvia a diferença em face dos cursos gerais do ensino secundário. A valorização dos momentos curriculares de formação em contexto de trabalho, particularmente presentes nestas tipologias formativas, traduz-se numa enorme vantagem já que permite aos estudantes desenvolver uma relação de grande proximidade com o mundo do trabalho e com a realidade das empresas.

Um aluno que opte por um Curso de Aprendizagem,.que no IEFP tem inúmeras alternativas, vai poder prosseguir ações de formação profissional inicial em regime de alternância entre o centro de formação/ entidade formadora e a empresa, onde decorre a formação prática em contexto de trabalho (FPCT). Disporá de uma oferta formativa baseada nos referenciais do Catálogo Nacional de Qualificações e os cursos abrangidos conferem dupla certificação: o nível 4 de qualificação profissional do Quadro Nacional de Qualificações e o 12º ano de escolaridade.

Os cursos com uma duração até cerca de dois anos e meio de formação, integram uma FPCT correspondente no mínimo a 40 por cento do percurso de formação. O jovem obterá assim uma certificação escolar e profissional, permitindo-lhe optar por prosseguir estudos de nível superior ou pela inserção no mercado de trabalho. Esta organização da formação em alternância, dirigida a jovens com idade inferior a 25 anos, em que se apoiam os cursos de aprendizagem, centra-se na aquisição de conhecimentos, aptidões e atitudes através do desenvolvimento de atividades de natureza predominantemente prática, conjugando os conhecimentos teóricos com as competências desenvolvidas no posto de trabalho e valoriza especialmente o contributo das empresas enquanto espaços de aprendizagem, permitindo ajustar o perfil de competências dos formandos às necessidades reais do mercado de trabalho, bem como facilitar a integração profissional dos jovens qualificados, aumentando a sua empregabilidade.

Em consequência, os jovens estão muito melhor preparados para iniciar a sua vida ativa, assim que terminam o seu curso, tendo já adquirido uma experiência significativa de integração numa entidade empregadora, ao longo de três períodos de formação.

Por outro lado, os Cursos de Especialização Tecnológica (CET) são formações póssecundárias, que visam aprofundar conhecimentos científicos e tecnológicos numa determinada área de formação, permitindo adquirir ou reforçar competências para o exercício profissional qualificado, de forma autónoma ou independente, com responsabilidades de conceção e ou de gestão, permitindo igualmente o prosseguimento de estudos de nível superior.

Trata-se de uma formação técnica de alto nível, que confere a atribuição de um diploma de especialização tecnológica (DET) e uma qualificação profissional de nível 5 do Quadro Nacional de Qualificações, com uma duração de cerca de ano e meio, visando a qualificação de quadros especializados que respondam à oferta do mercado de trabalho. Importa sublinhar o facto de, no final da formação tecnológica, os formandos serem colocados em empresas ou outras entidades empregadoras, selecionadas para o efeito, onde desenvolvem a componente de formação em contexto de trabalho, assumindo a forma de estágio e potenciando assim, em muitos casos, a sua integração futura nessas mesmas empresas, o que é sem dúvida uma mais-valia para esta tipologia de cursos e constitui uma alternativa válida para a profissionalização dos jovens.

Como podem os jovens procurar diferenciar o seu currículo, para além do que aprendem na sua formação académica de base?

Como se disse antes, a natureza e a estrutura dos cursos de Aprendizagem estão muito consolidadas. Os cursos oferecem componentes de formação teórica, científica e tecnológica, bem como a componente de formação prática em contexto de trabalho (FPCT), com vista ao desenvolvimento e aquisição de conhecimentos e competências técnicas, relacionais e organizacionais, da maior importância para o desempenho de uma atividade profissional.

Neste contexto, a FPCT permite aos formandos contactar com as tecnologias e técnicas utilizadas nas empresas, aplicar os conhecimentos e competências adquiridos em contexto de formação a atividades concretas em contexto real de trabalho e, bem assim, desenvolver hábitos de trabalho e espírito empreendedor. Por outro lado, esta dupla certificação possibilita, como se referiu, quer o prosseguimento de estudos quer uma entrada direta no mercado de trabalho.

O IEFP dispõe de programas e medidas de emprego que visam apoiar os jovens na sua integração no mercado de trabalho. Quais são?

O IEFP, enquanto serviço público de emprego e de formação, há muitas décadas que assume a liderança na organização e oferta de formação profissional no nosso país. É um trabalho essencial, assente na qualidade, no conhecimento e na experiência desenvolvida ao longo de muitos anos e isso reflete-se nos trajetos que as pessoas conseguem realizar após terminarem a sua formação.

Neste quadro, importa destacar o papel fundamental das empresas na identificação das necessidades de qualificações e na indicação das áreas e saídas profissionais prioritárias para a oferta formativa. O IEFP tem vindo a apostar na estreita colaboração entre a sua rede de Centros de Emprego e Formação Profissional e as empresas locais, contribuindo, desta forma, para o ajustamento da formação às necessidades do mercado de trabalho e facilitando a integração profissional dos jovens e adultos qualificados.

Um dos exemplos são os acordos de cooperação no âmbito dos Projetos-Piloto “Aprendizagem dá emprego”, em que são desenvolvidos Cursos de Aprendizagem, nas saídas profissionais acordadas com as empresas e respetivas Associações Empresariais envolvidas. Assentam numa maior participação das empresas no processo de formação, nas componentes tecnológicas e de formação prática em contexto de trabalho, procurando deste modo incrementar a colocação dos formandos após a conclusão do respetivo processo formativo, visando garantir a entrada direta no mercado de trabalho.

Por outro lado, o IEFP tem, desde há muito tempo, um conjunto de medidas de apoio ao emprego jovem e, desde o final de 2013, com o objetivo específico de proporcionar resposta ao desemprego jovem e na sequência de uma Recomendação Europeia, foi aprovado o Plano Nacional de Implementação de uma Garantia Jovem. Importa referir que a Garantia Jovem não é uma garantia de emprego. Tem, sim, por objetivo, proporcionar aos jovens, o mais rapidamente possível, uma oportunidade para apostar na sua qualificação e estar em contacto com o mercado de trabalho, com vista a combater a inatividade e o desemprego.

Quanto às medidas geridas pelo IEFP permito-me salientar os Estágios Profissionais que, por consistirem no desenvolvimento de experiências práticas em contexto laboral e, assim, viabilizando o complemento e desenvolvimento de competências profissionais, muito têm contribuído para a empregabilidade dos jovens após a sua conclusão, na própria empresa que os proporciona ou noutra entidade. Durante o período de estágio, o jovem beneficia de uma bolsa de montante variável consoante o respetivo nível de qualificação, bem como de subsídio de alimentação e de seguro de acidentes de trabalho.

Outra das medidas relevantes no apoio à empregabilidade dos jovens é o Contrato- Emprego, que consiste na atribuição de um apoio financeiro aos empregadores que celebrem contratos de trabalho sem termo ou a termo certo, por prazo igual ou superior a 12 meses com pessoas desempregadas (não se tratando de uma medida dirigida exclusivamente aos jovens, estes são um dos públicos específicos a que se dirige).

Não pretendendo ser exaustivo, destaco ainda a medida Contrato-Geração que, ao promover simultaneamente o envelhecimento ativo e o emprego jovem, estimulando ao mesmo tempo a partilha de experiências intergeracionais em contexto de trabalho, introduz inovação no leque de medidas públicas de emprego. Consiste na atribuição de apoio financeiro aos empregadores que celebrem contratos de trabalho sem termo e em simultâneo, de jovens à procura do primeiro emprego e de desempregados de longa duração, inscritos no IEFP, com a obrigação de proporcionarem formação profissional aos trabalhadores contratados.

Texto de: Beatriz Cassona

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