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Home Entrevista

Entrevista: Boy Teddy, do gospel ao Number One

Sónia Costa por Sónia Costa
24/09/2018
em Entrevista, Notícias, Novidades
MG 3138 edit cópia
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Boy Teddy nasceu e cresceu em Maputo. Grande parte da sua infância foi passada entre escola, casa – onde vivia sozinho com a mãe – e igreja, onde era vocalista do coro. Um dia, um produtor musical ouviu-o cantar e reconheceu que ali havia talento. Convidou-o para gravar uma música e, a partir daí, o “menino do coro” tornou-se um dos cantores moçambicanos mais promissores.

A tua infância influenciou muito a tua vida e em particular a tua carreira na música?

Sim. Crescer em Moçambique é diferente e isso acabou por me influenciar muito. É uma realidade totalmente diferente de Portugal. Há pouco a fazer quando se cresce em Maputo. Há a escola, a nossa casa, o futebol e a música. A minha infância foi muito passada entre ir às aulas, jogar à bola com amigos, estar em casa e ir à igreja… Ainda vou algumas vezes, mas agora é mais difícil ter tempo.

Até foi na igreja que começaste a cantar, não é?

Sim, fazia parte de um coro. Nos ensaios e apresentações, destaquei-me ao lado dos outros e passei a ser o vocalista principal. Foi nessa altura que conheci o meu produtor e comecei a fazer música profissionalmente.

Como foi essa passagem, da música de coro, gospel, para o género que fazes agora?

Foi uma experiência. Estava a fazer um concerto de gospel e calhou a estar lá um produtor a assistir. Ele gostou do que ouviu e veio falar comigo, convidou-me para fazer uma música. Na altura eu disse alinhei, disse logo “Claro, vamos tentar!” Fomos até ao estúdio e, dias depois, fizemos a Number One. Daí para a frente, começámos a ver que funcionava e eu não parei mais. à medida que o tempo passava, fui ganhando cada vez mais gosto e jeito.

Quem foi a tua maior inspiração no mundo da música?

Primeiro, tenho de dizer que nunca pensei fazer da música uma profissão, um modo de vida. Nunca me ocorreu que fosse possível. Uma das primeiras pessoas que me inspirou a fazê-lo foi o meu produtor. Quanto a inspirações, eu seguia muito o trabalho do John Legend na altura em que comecei… Ouvia muita música americana, gostava também do Chris Brown. São algumas das referências e inspirações que vou tendo para o meu estilo atual.

E fora do mundo da música, quem mais te inspira?

A minha maior inspiração é a minha mãe. A minha infância não foi nada fácil, foi muito complicado para ela estar em Moçambique sozinha. Criou-me sem ajuda e, 10 anos depois, tive um irmão. Foi difícil, mas ela conseguiu e hoje olha para mim e sente-se orgulhosa – tal como eu olho para ela com muito orgulho também. É por tudo isto que digo que ela é quem mais me inspira.

Se pudesses escolher alguém com quem fazer um dueto, qualquer pessoa, quem escolhias?

Neste momento, escolhia o Anselmo Ralph. Gosto muito das músicas dele, sempre o ouvi e já há algum tempo que acompanho o trabalho dele. Quando eu comecei a cantar ele já cantava e eu ouvia muito.

MG 3063 edit cópia

Como é para ti lidar com os fãs?

Sou muito fechado, muito tímido, muito no meu canto. Isso acabava por comprometer muito o meu trabalho, porque diariamente tenho de falar com as pessoas, de dar entrevistas, de me abrir mais. Pelo facto de ser assim, mais calmo e fechado, isso era complicado. As pessoas querem saber mais de mim e não posso deixar que a timidez comprometa a minha carreira, portanto acabei por criar uma maneira de ultrapassar esta forma de ser mais fechada… Comecei por aprender a conversar mais, a interagir com os outros. Quando representamos uma referência para alguém, seja enquanto músico ou outra figura pública, o público quer ter mais informações, tem muita curiosidade. Perguntam-nos como somos, como vivemos… É por isso que é importante e necessário, nesta área, que sejamos pessoas abertas.

Qual é a sensação de estar em Portugal e perceber que as pessoas aqui gostam de ti e do que fazes?

É incrível. Nunca sonhei ser músico quando era miúdo, então alcançar tudo isto, ver que as pessoas gostam do meu trabalho, querem estar comigo, acompanhar a minha carreira… Sentir isso é fenomenal, é uma sensação única e inigualável.

Há diferença entre a forma como as pessoas em Portugal vêm a música e a forma como as pessoas em Moçambique vêm a música?

Há uma grande diferença, sim. Primeiro, devido ao estilo que eu faço. Quando cá cheguei, o kizomba era uma febre. Era novidade, estava na moda, havia um grande entusiasmo da parte das pessoas. Em Moçambique não, já era tradição e já se ouvia há muito tempo. É bom estar aqui a cantar e a fazer o que faço porque as pessoas recebem as minhas músicas como algo novo e ficam sempre à espera de mais.

Em termos de temas, falas muito do amor… Porquê?

O estilo de música em si, com todas as suas caraterísticas, já inclina muito para o amor. E depois claro, devido a quem eu sou e à minha personalidade. Eu cresci na igreja e vivo muito este tema. Para mim, acho que não há uma mensagem maior ou sentimento mais bonito a transmitir às pessoas do que esta da importância do amor, de gostar de alguém. Daí focar-me muito nisso.

Quanto a projetos para o futuro, o que aí vem?

Tive muitos concertos este verão. Tenho um novo vídeo e cinco músicas que vão sair, todas novas. Acho importante ter músicas para lançar, para reforçar o meu nome e o meu trabalho. Em termos de estilo, estou a mudar um pouco. Já não me fecho só no kizomba, agora vou misturando. Isto significa que vão poder ouvir kizomba com ritmos mais pop e mais samba, por exemplo. 

[Fotos: Vidisco]

Visualizações 5.732
Tags: boy teddyentrevistakizombaMais Educativamúsicanumber oneVidisco
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