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Home A tua Revista

Rita Laranjeira: Das raízes clássicas à destreza arrojada

Bárbara Ferradosa por Bárbara Ferradosa
28/11/2023
em A tua Revista, Em destaque, Entrevista, Lazer & Cultura, Música, Novidades
Rita Laranjeira: Das raízes clássicas à destreza arrojada

Imagem cedida pela entrevistada

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Rita Laranjeira: Das raízes clássicas à destreza arrojada

Com uma compilação de sucessos invejável, Rita Laranjeira é a recente faceta pop em ascensão no panorama português, dominando a atuação em palco e conquistando indubitáveis aplausos.

Dona de uma voz surpreendente, a artista, de 18 anos, com o segundo EP, “Distante”, lançado, confidencia-nos as suas aptidões secretas e as ambições (e receios!) que a conduzirão ao pódio.

Fixaram?

Iniciaste o teu trajeto no Conservatório de Música de Sintra, nas disciplinas de Violino, Orquestra, Formação Musical e Coro. Que papel representa a base clássica no teu pop?

A base clássica é de extrema importância para qualquer género ou vertente musical, sobretudo para o pop. A capacidade de realizar várias vozes e harmonias numa loopstation, a facilidade em comunicar com os produtores, e o conhecimento e a rapidez que possuo a gravar, são técnicas que desenvolvi durante a minha viagem pelo Conservatório. Acredito que todas as peças que compõem o meu caminho são ferramentas a utilizar.

Com uma canção assinada por João Só, a Eurovisão Júnior contou com a tua participação em 2018. A experiência impulsionou-te a arriscar e a explorar mais aprofundadamente o grande universo dos holofotes?

Fiquei deslumbrada. Participar, com, apenas, 13 anos, numa produção megalómana como a Eurovisão Júnior, que decorreu na Minsk Arena, Bielorrússia, foi uma experiência avassaladora, que me forneceu um taste do que é a vida real e artística além-fronteiras. A partir dali, não quis mais nada [risos]. Arrisquei, explorei e fiz acontecer. Hoje, um dos meus grandes objetivos é conquistar a oportunidade de pisar a maior sala de espetáculos do país, a Altice Arena, e continuar o meu percurso, sempre a subir [risos].

O desempenho no concurso “The Voice Portugal” espelhou notoriamente a entrega constante que predispões perante os desafios. Abriram-se portas e trilharam-se novas rotas?

Concursos valem o que valem, mas representam uma estrondosa montra para quem ambiciona ingressar no mundo do espetáculo. O meu propósito era apresentar-me a Portugal e expor o meu talento, recebendo posteriormente, o convite da Universal, que me tem proporcionado oportunidades surreais.

Até chegares à versão final de uma canção, como é o teu processo de escrita e criação? Qual é a parte mais bonita e a mais incitante?

Pessoalmente, costumo começar pelo instrumental. Combino com o meu produtor, que, através das minhas indicações, prepara uma sample. Assim que chego a estúdio, reunimo-nos numa sessão de terapia [risos], onde debatemos um determinado tema. Depois de ouvirmos a amostra em loop, partimos para o conceito e elaboração da história, inventando cenários e moldando a personagem principal, de acordo com as características de cada elemento da equipa. Segue-se, por fim, a gravação de voz, uma das tarefas mais complexas e desafiantes, que requer um aperfeiçoamento máximo da parte vocal. Mas, o melhor do processo é mesmo o resultado.

O teu EP de estreia, “Jump In”, reúne cinco faixas inéditas, como “Jump”, que manifestou ser a tua rampa de expansão, ou “Clouds”, que soma, atualmente, 87 mil visualizações no Youtube. Os teus temas cantam histórias de cariz autobiográfico ou desabrocham do teu exercício observacional?

Tento evitar que o que canto seja 300% sobre mim. Prefiro recriar um contexto que observo e mergulhar na primeira pessoa. “Jump”, por exemplo, é das que eu menos vivenciei, mas acabo por tomá-la como minha. Contudo, “Oh Boy!” é, talvez, a mais inclusiva, relatando, veridicamente, o que qualquer mulher pensa.

Uma das marcas que carimbas nos teus singles é a combinação da língua inglesa com o português. A internacionalização constitui um dos passos para te difundires?

Ambiciono, sim, expandir-me mundo fora. O inglês é a linguagem universal e a globalização está a atingir proporções acentuadas, levando-nos a adaptar o português no discurso quotidiano. Pretendo, assim, habituar o meu circulo de fãs à potencial internacionalização e ajustar o meu estilo às sonoridades externas. É preciso inovar.

Dedicada a construir repertório, tens vindo a compor com Diogo Piçarra, LEFT., ÁTOA, Ariel e Ivandro. O que é que a realização de projetos de colaboração acrescentam às tuas criações e a ti, enquanto artista?

Tudo [risos], especialmente experiência. É uma honra partilhar-me com quem já cá anda há longos anos e que detém uma visão ampliada e um pensamento mais à frente. Saber como navegar no tempo. Aprender a atrasar e a adiantar. Absorvo muito e as melodias ganham definitivamente outra magia.

Recentemente, o lançamento de “Toque” foi calorosamente acolhido pelo Festival O Sol da Caparica, antecipando, assim, o teu segundo extended play, “Distante”. O que podemos esperar?

Introduzido no final do verão, “Toque”, que narra a transição, vem contrastar com todas as canções que já editei. Com um mood totalmente distinto, focado na letra e não tanto nos artifícios, o single dá um pré-aviso do que se avizinha… Uma época mais calma, sonhadora e bastante cinemática. Não quero que me encaixem dentro de uma caixinha. Tenciono percorrer outras direções e realidades.

De bossa nova a música eletrónica. Que peculiaridades de cada referência transportas para o seio do teu trabalho?

As minhas referências mudam de semana para semana [risos]. Procuro, constantemente, artistas que não se encontram nas trends. No entanto, tenho uma enorme admiração por Dua Lipa, que transfere as rewinds dos anos 80 e 90 e reinventa-as, com uma simplicidade inigualável, e, ainda, por H.E.R., que conjuga dancehall, R&B e jazz, numa sinfonia brilhante.

Enveredaste no cosmos do Ensino Superior em Ciências da Comunicação. De que forma planeias malabarizar os teus, agora, dois amores?

Considero que tudo depende da essência e prioridades de cada um. O meu plano A é a música, por isso, acabei por optar por um curso que, inevitavelmente, me vai ajudar na área que exerço. A verdade é que ser só cantora exige saber ser figura pública e performer, e a comunicação é uma componente essencial. É uma questão de organização.

2023 foi um ano preenchido. O que ansiar para 2024?

Vou entrar com o Diogo Guerra numa fase de autoconhecimento profundo sobre o futuro dos meus projetos, imergindo totalmente na descoberta. Quero trazer diversidade a Portugal. Adicionalmente, um álbum, com a junção dos dois EP’s e uma ou outra inédita ou um disco completamente original, é garantido, bem como faixas que já estão prontas e que estou a estoirar de abolição para lançar. Fica aqui a pairar o clímax [risos].

Considerada uma das maiores revelações nacionais… Quem é, afinal, Rita Laranjeira?

Sou uma adolescente bem-disposta, desenrascada e profissional. Altamente goofy, perfecionista e mega acelerada, que não se identifica com a sua idade e que nunca está plenamente satisfeita [risos]. Apesar de extrovertida, tenho poucos amigos. O meu maior dilema é tomar decisões e a minha grande meditação é a pintura a óleo. Adoro atividade física, viajar e conhecer culturas. Resumidamente: Sou pluralidade.

Rita Laranjeira: Das raízes clássicas à destreza arrojada

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