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ADN das Escolas: Agrupamento de Escolas Ruy Belo

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Uma Escola que se distingue pela transmissão de valores que derrubam os muros da escola. Assim se define o Agrupamento de Escolas Ruy Belo.

Estivemos à conversa com a diretora Nancy Gaudêncio que nos abriu as portas da sua Escola e nos transmitiu a essência deste Agrupamento em que se valoriza a individualidade em prol do todo.

Esta rubrica intitula-se de “ADN das Escolas”, precisamente para darmos a conhecer aos nossos leitores, os pilares e valores que caracterizam e distinguem cada escola. Como define o Agrupamento de Escolas Ruy Belo e o que distingue este agrupamento de qualquer outro?

Distingo este Agrupamento pela evolução que tem tido nos últimos cerca de dez anos, através do reconhecimento dos excelentes profissionais que nele trabalham. Não o digo por ser eu a líder, mas a minha forma de liderar e de colaborar é dar oportunidade a que todos sejam eles, alunos, professores, assistentes operacionais técnicos sintam que dentro da sua área também são líderes. Todos têm a sua importância, dentro da sua área de ação. Assim, constrói-se passo a passo, uma forma do Agrupamento ser visto de uma forma ímpar, distinta e integrado nesta oportunidade. Esta é a minha visão daquilo que nos valoriza enquanto uma instituição diferente.

Enquanto diretora quais são os valores que considera transmitir às pessoas que trabalham nesta instituição?

Liberdade de expressão e comunicação. Através da comunicação as pessoas podem transmitir os seus conhecimentos, os seus próprios valores, aquilo em que acreditam e acrescentar a quem as escuta. Para haver esta liberdade de comunicar é fundamental que as pessoas sintam que são valorizadas, que têm uma voz e, que têm a liberdade de se exprimir e partilhar as suas opiniões.

Nas reuniões, eu dou sempre liberdade e oportunidade para os outros falarem, claro que as reuniões demoram o dobro do tempo, mas é importante que todos colaborem. Não é por acaso que o lema do nosso projeto educativo é “Uma escola de todos para todos” portanto, não sou a única que devo ter oportunidade e voz, são todos os elementos que fazem parte desta Escola.

Quais são as atividades ou hábitos que fazem parte do ADN desta Escola que foram interrompidos em virtude das aulas a distância e que este ano letivo serão retomados?

Em virtude da pandemia, a sociedade mudou muito, e obrigou as escolas a olharem as famílias e as comunidades de uma outra forma. O facto de os professores darem aulas com os alunos nas suas casas, em conjunto com as suas famílias, permite que se olhe para o aluno com uma maior individualidade, e se aposte numa educação mais individualizada, dentro das limitações das escolas. Não estamos formatados, precisamos de pensar em ferramentas para repensar a nossa forma de estar enquanto profissionais educativos. Podemos e devemos apostar em projetos direcionados para as comunidades e para as famílias com os pilares da solidariedade e da colaboração.

Quais são as dificuldades que sente enquanto diretora e, por outro lado, quais as dificuldades que o Agrupamento enfrenta?

A dificuldade enquanto diretora é equilibrar as duas facetas que se têm de ter enquanto diretora. Uma das facetas é a de aplicação de normativas, regras e seguir tudo o que está estipulado e que deve ser feito e cumprido, a outra, é não poder olhar apenas a números e, saber que estamos a trabalhar com pessoas e para pessoas não a fabricá-las. Não é fácil, porque temos superiores, a tutela, a quem temos de prestar contas e a questão é que estes dois lados têm de se unir num ponto que, muitas vezes, não se encontra. Em termos de Agrupamento, esta é uma escola que trabalha para a excelência. Temos excelentes profissionais, procuramos ter excelentes profissionais e incutimos esta forma de percecionar a escola em quem chega. Procuramos promover salas de aula com excelentes condições, salas de estudo, vinda de pais à escola… Mas, é preciso ter meios e condições para cumprir estas intenções. O conforto do local onde estamos a trabalhar ou a estudar contribui muito para o sucesso das nossas aprendizagens e do nosso trabalho. Ultimamente, através da intervenção e preocupação da Câmara Municipal de Sintra e da nossa constante atenção e comunicação com esta entidade, temos tido várias melhorias neste aspeto.

Quais os projetos já concretizados pela escola que gostaria de destacar? Há prémios ou distinções que queira assinalar?

Neste momento temos a nossa Biblioteca Escolar que tem tido um forte investimento por parte, especialmente, da nossa coordenadora, a professora Teresa Sobral que é um dos pilares daquilo a que eu chamo ser líder no seu espaço. A professora Teresa está sempre atenta a tudo o que diz respeito a projetos e trabalha diretamente com a Rede de Bibliotecas Escolares. Temos dado, nos últimos anos, particular destaque à leitura que, para nós, é um dos pilares de uma pessoa na sociedade. Dinamizamos o projeto 10 Minutos a Ler, uma iniciativa do Prémio Nacional da Leitura, e por termos tido um professor que foi líder na forma como foi dinamizado este projeto, o Agrupamento foi galardoado com o Prémio de Agrupamento Ler Mais. Posteriormente pudemos candidatar-nos a um concurso do Plano Nacional da Leitura 21/27 em que nos foi atribuído um valor monetário para adquirir material para a nossa biblioteca. Este projeto de comunicação da leitura teve muito sucesso e tem alguém a impulsioná-lo, e por isso, este ano decidimos ir um pouco mais além e, em vez de uma vez por semana, os alunos pararem 10 minutos para ler seja revistas, jornais, documentos ou livros, agora todos os dias os alunos param 10 minutos para ler. Até ao final do ano vamos avaliar a mudança que esta mudança vai ter nos alunos. Acreditamos que ler mais, abre a nossa imaginação e permite-nos ser mais conhecedores do mundo que nos rodeia e compreender. Ler é um ato de cidadania e de liberdade.

A verdade é que temos sempre vários projetos a decorrer e não há tempo para comunicar e promover o que se faz na escola. Deveríamos ter uma equipa de marketing para conseguirmos transmitir para a comunidade tudo o que se dinamiza na escola, mas não é possível. Sempre que termina um projeto, já temos outro a começar.

Qual é o principal objetivo da vossa escola para este ano letivo?

É conseguirmos voltar à normalidade sem medos, professores, alunos e as suas famílias. Estamos neste momento a fazer um trabalho muito incisivo para trazer as famílias à escola. Nós temos famílias desligadas da escola, famílias interessadas e famílias que têm conhecimento do que se faz, mas não se envolvem, por isso, neste momento, estamos a tentar trabalhar com as famílias para que se envolvam. Temos o apoio de quatro técnicos que vão a casa dos alunos, porque há famílias que precisam de orientação. Uma vez mais a biblioteca que é, sem dúvida, um dos pilares do nosso Agrupamento, tem um projeto, com cerca de dez anos, que se chama “Pais à conversa”.

Nestes momentos em que os pais se dirigem à escola para conversarem uns com os outros e com um professor, têm a oportunidade de abordar temas que os preocupam, e partilharem medos, angustias, receios que, muitas vezes, são comuns entre estas famílias por estarem a passar pela mesma situação. É uma forma de nós conseguirmos ajudar as famílias e estreitar a relação entre pais e a escola. Entendemos que para podermos educar e ajudar é preciso ouvir e, este projeto tem tido muitos frutos. Por isso, mesmo com a pandemia não páramos e transitamos estes momentos, que acontecem mensalmente, para o digital.

Quais os valores que considera fundamentais serem transmitidos aos alunos?

Acima de tudo, solidariedade. O mundo em que hoje vivemos é muito egoísta, no recreio muitas crianças são excluídas por serem diferentes. A solidariedade e companheirismo que os alunos devem ter ultrapassam os muros da escola, eles devem ser solidários na sua vida, num contexto geral. Esta é uma preocupação minha e, eu gostava realmente que todos os alunos que saem da Ruy Belo vissem de uma forma diferente o mundo. Não é apenas ver alguém com fome e oferecer alimentos, é dar um abraço a quem está sozinho, é incluir uma pessoa que é excluída. O tipo de ajuda não é o mais importante, é ter empatia para com o outro. O nosso Agrupamento tem tido esta atenção, aqui há um clima de boas vindas e de apoio muito forte. Quem sai desta escola, sai com muitas saudades. Nós precisamos de todos, vivemos numa comunidade.

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