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João Moutão: “Há coisas que são insubstituíveis e as relações humanas são uma delas”

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Fotos cedidas por: IPSantarém

Num ano que desafiou toda a comunidade educativa e fez olhar para o futuro de uma outra perspetiva, a Mais Educativa foi a Santarém entrevistar o Presidente do Politécnico, João Moutão, que está a cumprir o seu primeiro mandato. Vem conhecer a essência do Instituto Politécnico de Santarém e as inovações que o próximo ano trará.

Para quem não conhece, como descreve o Politécnico de Santarém? Qual é a sua cultura enquanto instituição do ensino superior?

O Politécnico de Santarém é conhecido pela sua grande diversidade de oferta formativa. Temos disponíveis desde as ciências agrárias e da educação, às ciências empresariais, de desporto e da saúde. Isso permite-nos ter áreas de conjugação e inovação associadas a este território e às suas especificidades, portanto, a própria instituição torna-se o reflexo desta área geográfica do Ribatejo. Do ponto de vista cultural, esta é uma região que sabe receber bem as pessoas e que tem elevados padrões de valores sociais que transporta para a nossa comunidade académica. Ou seja, os nossos estudantes sabem que para além da elevada qualidade da nossa oferta formativa do ponto de vista técnico e científico, são também formados para a importância de um conjunto de valores sociais, humanos e culturais que fazem parte também do projeto educativo do Politécnico. Tudo isto é sem dúvida diferenciador.

Este é o seu primeiro mandato, o que espera manter e alterar no Politécnico?

Pretendo dar a notoriedade à nossa Instituição e dar a conhecê-la à nossa comunidade e permitir que haja um maior conhecimento da vida da Instituição por parte das entidades e da própria região. Simultaneamente gostaria que a região visse no Politécnico de Santarém, um parceiro e um aliado para a sua afirmação enquanto região de referência no âmbito nacional. Este é um trabalho que exige uma grande capacidade de comunicar para o exterior, e também internamente, aquilo que se faz e que existe dentro da Instituição, e este é um trabalho no qual temos estado empenhados em cumprir. Temos a certeza de que muita da nossa atividade é de elevada qualidade e de excelência, e que corresponde à notoriedade que o Politécnico de Santarém tem enquanto Instituição de Ensino Superior. Somos uma Instituição cada vez mais preparada para o futuro, com uma maior aposta nas tecnologias e nos processos inovadores do ensino, de forma a corresponder cada vez mais e melhor às necessidades dos nossos parceiros, dos nossos alunos (que estão no centro dos nossos processos de ensino) e à administração pública no geral.

Qual é a sua principal missão enquanto presidente?

Acima de tudo, dar uma coerência institucional a toda a organização para que consigamos afirmar o Politécnico de Santarém a nível do seu território de implantação e a nível nacional e internacional. Eu serei sempre um entre muitos, neste objetivo institucional no qual todos se devem rever e participar. A condução da atividade do Instituto deve ser feita, em meu entendimento, para ir ao encontro deste objetivo maior.

Quais são os valores e aprendizagens que os alunos que terminam a sua formação nesta instituição devem ter?

O que pretendemos é que os mais e menos jovens ganhem o gosto por aprender, porque sem isso o seu futuro acaba por ficar comprometido. A criatividade, proatividade e empreendedorismo, são também fortemente valorizados. Enquanto Instituição do Ensino Superior acreditamos que a liberdade de pensamento e criatividade são fatores determinantes, especialmente numa sociedade cada vez mais exigente e volátil, onde a diferenciação é um fator de sucesso. Por isso, apoiamos muito as iniciativas próprias dos estudantes, temos programas de apoio à inovação e empreendedorismo, com bolsas para que os estudantes possam implementar as suas ideias de negócio e contamos com redes de incubadoras de negócio que os ajudam a construir e implementar as suas ideias no mercado de trabalho.

Do ponto de vista humano, os valores civilizacionais de participação democrática que pretendemos incutir e estimular, decorrem da valorização que é feita da participação na vida democrática da Instituição, através do associativismo e programas de voluntariado. O valor da inclusão é também fundamental de ser transmitido, todos os nossos edifícios apesar da sua idade, estão adaptados para todas as pessoas independentemente das suas limitações físicas e motoras. Ao nível curricular, contamos com programas que ajudam os estudantes com necessidades educativas especiais. Temos um curso de formação superior destinado a estudantes com trissomia 21, que de outra forma, não teriam acesso ao Ensino Superior, e este um programa único neste nível de ensino.

O valor ecológico, em particular nesta região do país, não poderia ser esquecido, através da formação na área ambiental e de turismo da natureza, grandemente valorizado; este é um curso que decorre em parceria com a escola agrária, a escola de educação e de desporto.

Entendemos que formar os jovens para o futuro da sociedade ao nível do saber ser é tão importante quanto transmitir as aprendizagens formais ao nível do saber fazer. Para atingir estes objetivos, contamos com recursos humanos altamente qualificados que pretendemos que deem resposta aos nossos estudantes para assim, atingir parte da nossa missão enquanto Instituição de Ensino Superior.

Neste momento estão a decorrer ou estão previstos decorrerem projetos que queira destacar?

Sim, temos projetos de natureza científica em todas as nossas áreas de formação. Todos os nossos programas de ensino têm programas de investigação associados, nos quais os estudantes se envolvem. Temos também, projetos transversais à Instituição, como o projeto de Inovação Pedagógica que consiste na implementação de metodologias de ensino ativas, no qual, os estudantes são desafiados a resolver problemas reais, criados por entidades parceiras, para que deste modo, os alunos aprendam os conteúdos programados através de um ensino prático. Nestes desafios, os professores são designados por facilitadores e os alunos por talentos, e assim, procuramos mudar a linguagem excessivamente formal e

académica e adequar o ensino à realidade que vivemos atualmente, procurando combater o desinteresse e a desmotivação, por vezes sentidos pelos jovens que não se revêm num ensino já ultrapassado. Os estímulos hoje em dia são diferentes, os valores são diferentes e o ensino deve acompanhar as tendências e combater o fosso geracional que por vezes se cria, mas este é um processo contínuo, complexo e que leva o seu tempo.

Com o distanciamento social que é necessário ter nesta fase, por questões de saúde, como é que se mantém a proximidade humana e a união académica entre docentes, alunos e instituição de ensino?

O espírito de camaradagem existente entre a comunidade académica não permitiu que houvesse um distanciamento social, houve naturalmente, um distanciamento físico, mas não social. Mantivemos um contacto entre os estudantes e professores, mas em ambientes virtuais. Retomámos agora as aulas presenciais, fizemos um programa de testagem massiva, sem nenhum caso positivo, e continuamos com um programa de contingência com todas as regras necessárias de prevenção. Mas, há coisas que são insubstituíveis e as relações humanas são uma delas, estamos por isso muito satisfeitos por retomar este contacto presencial e vida social.

Para um aluno que esteja a terminar o ensino secundário e queira seguir a área da agronomia, desporto, saúde, educação ou gestão e tecnologia, quais são as vantagens que terá em frequentar esta instituição?

Acesso a uma formação sólida do ponto de vista científico e tecnológico. A possibilidade de ter uma formação em fileira, temos os vários graus de ensino superior encadeados, começando nos cursos de Técnicos Superiores Profissionais (CTESP), os quais permitem a prossecução de estudos para as licenciaturas. Posteriormente temos os Mestrados, onde pretendemos que se mobilizem os alunos com mais capacidade, mais motivados e também os docentes que estão mais orientados para a investigação. Esta é, sem dúvida, uma grande vantagem para os nossos estudantes. No 1º ciclo de Ensino contamos com uma oferta alargado com 19 licenciaturas nas cinco Escolas da nossa Instituição de Ensino Superior.

Não posso deixar de mencionar as nossas instalações e equipamentos laboratoriais. Temos uma Escola Agrária com 135 anos, um emblema nacional e que atua numa região em que a agricultura é um setor bandeira, uma Escola de Educação também mais antiga que o Instituto e que tem uma vasta história de formação de professores da região. A Escola de Saúde que tem uma parceria forte com o Hospital Distrital de Santarém promovendo a sinergia entre os contextos clínicos e a escola. A nossa Escola de Gestão e Tecnologia que conta com uma forte ligação ao tecido empresarial e social da região, bem como a Escola de Desporto que fica situada na cidade de Rio Maior, cidade do desporto, e que conta com instalações únicas no país para a prática e o ensino do desporto. Dispomos ainda de um serviço de ação social que possibilita que os jovens tenham acesso a residências, cantinas, bares e outros apoios. Dispomos também de programas de mobilidade para estudantes, como o programa ERASMUS que permite que os estudantes possam passar um semestre, ou um ano numa outra Universidade Europeia, assim como o Programa Pedro Álvares Cabral que apoia a mobilidade para países da América do Sul e também países lusófonos. Também dispomos de um Programa de Voluntariado com curso de formação como forma dos nossos estudantes promoverem uma cultura responsável, solidária e de coesão social, reforçando os valores de uma cidadania ativa.

No fundo, esta é uma Instituição preparada para ser parceira de cada estudante na construção do seu futuro, para os ajudar a atingir sucesso pessoal, académico e profissional.

Para o próximo ano letivo há algumas novidades ou alterações previstas?

As principais novidades decorrem da aposta que vamos fazer numa maior deslocalização do ensino, através da disponibilização cursos em zonas limítrofes de Santarém, em especial na Zona norte de Lisboa.

As principais inovações serão sobretudo sentidas ao nível das metodologias e dos processos de ensino, os quais serão cada vez mais em contexto real e com recurso a novas tecnologias.

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