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Entrevista a Rui Maria Pêgo: “A vida é uma eterna conversa”

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Nunca se importou de mudar de direção várias vezes, até encontrar um caminho que o concretizava. Estivemos à conversa com o Rui sobre as suas escolhas, sonhos e convicções!

O curso de Direito não foi o que esperavas, ou sentiste alguma influência, ou pressão para optar por essa área?

O curso de Direito era óptimo, mas eu não queria estar ali. Ganhei o casting para apresentar o “Curto Circuito” na SIC Radical, no final do primeiro ano, e fui gradualmente tomando a decisão de enfrentar os meus pais e sair de lá. Hoje tenho alguma pena porque é um curso, no fundo, sobre pessoas. E sobre os instrumentos que inventámos construir sociedades mais justas. Não tinha a maturidade, nem o interesse para fazê-lo e fui muito pressionado para continuar. Ainda fiz algumas coisas, mas cheguei a Direito Fiscal e eclipsei-me.

A vida profissional influenciou a mudança para o curso de comunicação, três anos mais tarde?

Não. Eu sempre quis tirar Jornalismo ou Ciências da Comunicação e fui dissuadido porque lá em casa reinava a máxima de que deveríamos optar por cursos basilares primeiro, para termos percursos académicos mais variados. Sempre achei graça à lógica norte-americana de fazer uma espécie de anos iniciais em que se estuda de tudo para depois seguir para uma especialização, mas Direito, aos 17, é como arrancar um dente. Por cá sei que existem finalmente os “Estudos Gerais”, e acho que me teria feito bem. Sempre gostei de demasiadas coisas e aos 18, 19, era demasiado teimoso e rebelde para me cingir àquele universo. Estive poucos meses nesse curso de Comunicação porque achei que tinha pouca relação com a realidade. Já trabalhava na SIC há alguns anos e não acreditei minimamente que aquilo me ajudaria. E tinha razão. Pelo menos no meu caso.

Apesar da tua paixão pelo mundo da comunicação, concluíste recentemente a tua licenciatura em História na NOVA FSCH. Porque é que escolheste esta área?

Sei de cor a cronologia dos reis portugueses desde os 8 anos. Nunca me cansou ler sobre História e sempre quis descobrir mais. Ponderei sobre História na altura em que me candidatei pela primeira vez à faculdade, mas venceu Direito em Coimbra e… Não fui! Ainda bem porque teria sido muito infeliz.

A minha estória com História ganhou balanço na escola. Tive uma professora muito influente no liceu, a Professora Paula Bessa, que nos fazia pensar e relacionar contextos. A verdade é que me candidatei ao curso de Ciências de Comunicação da NOVA, mas não entrei. A média era muito alta, e embora a minha fosse simpática, não chegou. Fui um péssimo, péssimo aluno do Curso de História da FCSH. Eu era de resto uma piada recorrente no curso. Diziam que para mim o curso era como o Bear Grylls descobrir água num deserto. Não vou tão longe, mas estava demasiado disperso com a minha vida profissional. Cheguei a estar em rádio, televisão e teatro ao mesmo tempo, e a faculdade. Guardo boas memórias e algum conhecimento. Até porque estar num curso não obriga forçosamente a que tenhamos de seguir a “carreira” para a qual o curso te prepara. Podes ir apenas por curiosidade intelectual. Não tenho qualquer pretensão de trabalhar como historiador. Não tenho grande talento para isso – embora saiba que nunca me dediquei a sério -, mas enquanto comunicador acho fundamental procurar novas maneiras de entender o Tempo. Sobretudo a meio de um ciclo como o que estamos a viver, com o recrudescimento da extrema-direita e debates acesos e importantes como o do racismo sistémico, a misoginia, as migrações ou a perseguição a membros da comunidade LGBTQIA+.

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