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Entrevista: MathGurl, a Matemática Aplicada às Redes Sociais

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A Inês Guimarães tem 20 anos e é de… Guimarães!  Coincidência engraçada, não é?

Ela estuda Matemática na Universidade do Porto e temos a certeza que a conheces do YouTube, onde é a MathGurl. Ela ajuda-te a dar a volta aos problemas e complexos matemáticos mais bicudos, com recurso à comédia e a objetos do teu quotidiano. Acreditas que num dos vídeos usou uma melancia para explicar um paradoxo – que à primeira vista parecia fácil, mas tinha uma grande rasteira pelo meio?

Depois de lançar o seu livro, Desafios Matemáticos Que Te Vão Enlouquecer, a jovem vai agora ter uma série na RTP Play, chamada Matemática Salteada. Incrível, não? A Mais Educativa falou com ela para perceber como nasceu e cresceu esta paixão pelos números.

O gosto pela matemática já nasceu contigo ou tiveste alguma influência?

Sempre gostei de Matemática, mas inicialmente não era uma paixão por aí além. No sétimo ano tive um professor bastante exigente, ele puxava muito pelos alunos e isso criou em mim a vontade de aprender e estudar mais, para provar que também era capaz de fazer aquilo que ele propunha. Foi aí que comecei a investir e a apaixonar-me pela área, pela forma como funciona, pelo seu formalismo e rigor. Depois, já no oitavo ano, comecei a treinar para as Olimpíadas da Matemática. Aí foi um novo mundo para mim. Eram desafios muito interessantes e a maior parte eu nem conseguia resolver, eram muito difíceis e fora da minha zona de conforto. Eu não estava habituada e tive de trabalhar muito o meu raciocínio lógico. Foi essa vertente do desafio que criou em mim a vontade de aprender e investigar mais sobre a área.

Qual é a tua matéria favorita dentro da Matemática? 

Sinto que ainda sei muito pouco! Quanto mais aprendo, mais me apercebo do pouco que sei! Uma das áreas que acho mais elegantes é a Álgebra. Para explicar nos vídeos, também gosto de Geometria e de História da Matemática.

Como costumas organizar o teu tempo entre as exigências da faculdade e os vídeos para o canal?

Passo grande parte do tempo a estudar. Em tempo de aulas faço menos vídeos, por vezes tiro um dia ou uma tarde por semana e aproveito para gravar. Agora que tenho mais projetos torna-se mais difícil, a agenda começa a ficar preenchida e acabo por ter de de aproveitar viagens de comboio para estudar. Às vezes chego a casa muito cansada, mas penso “tem de ser”. E essa é a realidade, se queremos muita coisa. 

Quem mais te inspira no mundo da Matemática?

Gosto muito de Euler e de Gaus, que são matemáticos assim mais antigos. Além disso, há claramente professores na faculdade que admiro imenso!

A ideia de ser YouTuber surgiu em algum momento especial ou sempre tiveste esse bichinho?

Nunca quis ser YouTuber! Comecei porque era uma área que me fascinava imenso e eu sentia a necessidade de transmitir isso às pessoas, de partilhar curiosidades que achava interessantes. Pensei que muito mais gente poderia gostar de matemática se a visse de uma perspetiva diferente, mais divertida. Nunca tive aquela obsessão de querer que o canal crescesse. O que me faz sentir mais concretizada quando faço um vídeo é sentir que passei uma mensagem interessante de forma criativa – e não propriamente o número de visualizações ou likes.

Como gostas de ocupar os teus tempos livres?

Não gosto de grandes confusões e festas. Prefiro passear, fazer programas mais casuais e intimistas. Gosto de iir ao cinema, de fazer piqueniques…

Que foi o teu vídeo que recebeu um maior feedback?

Se houve um vídeo que fez explodir o meu canal, foi o que fiz sobre a Sequência de Fibonacci. Este é um tema muito conhecido e falado na divulgação matemática. Não sei bem porquê, mas teve muitas visualizações!

Costumas acompanhar e assistir a outros YouTubers da área? 

Não assisto a muitos YouTubers. Há quem veja outros vídeos e deles retire inspiração, mas eu sou um pouco ao contrário. Pode não fazer sentido, mas tento não ver muito para não ser influenciada. Mas há um canal do qual gosto muito, chamado 3Blue1Brown, onde são explicados conceitos de matemática mais avançada e universitária. Tem umas animações incríveis e nota-se que ele se empenha imenso, que é muito perfeccionista a fazer os vídeos e que faz um trabalho de muita qualidade.

Os fãs costumam abordar-te, mandar mensagens? 

Na rua é raro., mas recebo imensas mensagens e comentários. Tenho muitos pedidos para fazer vídeos para o público mais novo, sobre temas matemáticos de níveis menos avançados. A questão é que não é tanto isso que me apaixona, eu interesso-me por questões mais avançadas e é disso que gosto de falar. Isso faz com que o meu público seja maioritariamente composto por pessoas que já são um pouco mais velhas e que já têm interesse pela matemática.

No futuro, o que gostavas de fazer?

Lancei o livro há pouco tempo, chamado Desafios Matemáticos Que Te Vão Enlouquecer. Ainda este ano deve sair uma série minha na RTP Play, a Matemática Salteada, que tem o objetivo de explicar conceitos de Matemática utilizando comida. Quando acabar a Licenciatura, vou fazer um Mestrado. Depois não sei, ainda estou a pesar a importância que quero dar ao curso e a que quero dedicar aos projetos mais criativos e de divulgação.

[Fotos: cedidas pelo entrevistado]

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