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Tattoo ou tabu?

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A tatuagem tornou-se um acessório de moda. Cada vez mais pessoas as fazem, mas será que não estarão a danificar a pele? E os preconceitos sociais, já desapareceram? E na altura de encontrar emprego, trazem problemas a quem as tem? Falámos com uma tatuadora profissional e com uma empresa de recrutamento, e damos-te uma ajuda para olhares para as tatuagens sem tabus, mas com responsabilidade.

A sociedad
e e as tatuagens

Ter uma tatuagem continua a ser, nos dias de hoje, uma decisão algo controversa. Dentro da nossa sociedade há opiniões completamente distintas, que variam conforme a forma de pensar e a experiência de cada um – há quem defenda a liberdade individual de cada um e não veja mal algum numa tatuagem; e há quem continue a associar esta prática à marginalidade e à criminalidade.
A tendência é para que, cada vez mais, fazer ou não uma tatuagem seja apenas mais uma opção de vida, e respeitada como tal. Mas o que ainda temos é uma opinião pública algo marcada pelo tempo em que grande parte das pessoas que as tinham estavam um pouco à margem do que é convencional e socialmente aceite, e muitas vezes até ligadas a algum tipo de obscuridade. Hoje em dia a tatuagem é vista, cada vez mais, como uma arte.

Isso vê-se também nas razões que hoje levam as pessoas a fazer tatuagens, bem como nas pessoas que as fazem. Para as percebermos melhor, falámos com a Nouvelle Rita, uma das mais talentosas tatuadoras do país, que trabalha na Big Boys Tattoo, em Lisboa: “Há uns anos atrás, as tatuagens eram feitas maioritariamente por pessoas que não tinham qualquer background ligado às artes, e as pessoas faziam-nas como uma forma de expressão e de afirmação, em vez de procurarem a técnica ou a qualidade do trabalho de um determinado tatuador. Era o que próprio acto de tatuar em si representava, o sentimento de querer desafiar as normas”.
Hoje em dia, as pessoas continuam a procurar a tatuagem como uma forma de expressão – não tanto como um meio para chocar ou para desafiar os outros, mas mais como algo para si mesmos, que os destaque como indivíduos originais, e isso nota-se pelo tipo de trabalho que procuram: “Hoje, ao contrário do que acontecia há uns anos atrás, procuram-se tatuadores que tenham trabalhos diferentes, procuram-se peças únicas. Os avanços tecnológicos fizeram com que houvesse uma explosão de estilos, e há agora muito mais por onde escolher”, refere a tatuadora com quem falámos. Agora, a tatuagem é também “um estatuto, mas neste caso, de vivência, de conhecimento, de sentido estético e de riqueza”, acrescenta.

Depois, há ainda a postura que o mercado de trabalho assume perante as tatuagens, mas já lá iremos. O que precisas sempre de ter em conta, independentemente do teu contexto atual, é que uma decisão pouco ponderada pode interferir com o teu futuro.

Fazer uma tatuagem: os cuidados

Ponto prévio: Uma tatuagem é, antes de qualquer outra coisa, uma ferida aberta, e por isso tem de ser tratada como tal. De resto, a Nouvelle Rita dá-te algumas dicas:
– Mantém a tua tatuagem limpa e hidratada, e sempre com produtos o mais naturais e neutros possível;
– Mantém a tua tatuagem fora da luz solar direta, e de lugares que a possam contaminar ou que possam contaminar terceiros (mar, piscina, etc.);
Tão importante como o trabalho do tatuador, é a importância da cicatrização da tua tatuagem. E ela só depende de ti!

Os conselhos de uma especialista

Por incrível que te possa parecer, o principal conselho que esta tatuadora tem para te dar é que esperes. “Sei que parece parvo, mas aquilo que, aos 16/17 anos, queremos ter na nossa pele para sempre, não é o mesmo que vamos querer daí a três, cinco ou dez anos. E basta pensares no que terias tatuado aos 12 ou 14 anos… provavelmente ia haver muito mais gente por aí a proclamar amor eterno pelo Justin Bieber”, assegura.
De acordo com esta tatuadora, o tempo permite-te amadurecer a tua ideia, ter a certeza de que realmente queres fazer uma tatuagem, e ter a certeza de que escolheste a pessoa certa para a fazer. Ela fez a sua primeira tatuagem “aos 18 anos” e, apesar de “não se arrepender” de a ter feito, hoje “não a faria da mesma forma”, e agora tem “pena de não ter esse espaço livre para outra coisa”.
Por isso, se fores capaz de esperar, faz algo que saibas que nunca vais deixar de gostar. Faz a tua pesquisa e mantém a simplicidade porque, segundo a Rita, “em tatuagens, menos é mais, sempre!” E diz isso porque, muitas vezes, “na primeira tatuagem quer-se encher tanto a coisa de significado, que se acaba por juntar demasiados elementos”. O resultado é uma tatuagem confusa. 

Outra coisa que ajuda é pensares em imagens que traduzam um sentimento ou conceito (ou até uma pessoa). “Por exemplo, se o perfume da avó cheira a Jasmim porque não tatuar um raminho de jasmim em vez de escrever o nome dela?”, pergunta a nossa tatuadora… “As tatuagens são para nós, não precisam de legenda”, conclui.

Tatuagens: permanentes ou temporárias?

Hoje em dia, já ouvimos falar em vários tipos de tatuagem, nomeadamente no conceito de tatuagem temporária. Ficámos confusos: Afinal, quantos tipos de tatuagem existem atualmente, e quais as diferenças entre eles?
Para obtermos a resposta, consultámos a nossa tatuadora profissional. Sobre os vários tipos de tatuagens, a Nouvelle Rita não tem dúvidas em afirmar que “só existe um tipo de tatuagem: o permanente”. Porquê? Porque as chamadas tatuagens “temporárias” “não funcionam na prática como parece na teoria”.
O que se passa é que a tinta usada para estas tatuagens é mais facilmente dissipada pelo organismo, e em teoria a tatuagem “desapareceria ao fim de uns anos”, segundo a Nouvelle Rita. Na prática, o que acaba por acontecer é que a tatuagem “perde definição mais rapidamente, e muitas vezes acaba por se tornar num borrão, sem que desapareça por completo”, conclui.
Normalmente, quem tem uma tatuagem destas acaba por ter de fazer outra tatuagem por cima dessa, ou retocá-la para não ficar apenas com um borrão na pele, que nunca é o objetivo.

O outro tipo de tatuagem temporária que existe – e que é realmente temporária – “é aquela ‘tipo Bollycao’ (que agora até apresenta opções bastante interessantes)… ou a tatuagem de henna, mas nenhuma delas envolve agulhas”, de acordo com a Rita.

Já não quero ter esta tatuagem. E agora?

Não só é possível remover uma tatuagem, como é cada vez mais um negócio dentro deste mundo. No entanto, a Nouvelle Rita deixa, desde logo, a sua opinião bastante clara: “A remoção de uma tatuagem deve ser sempre utilizada como último recurso, e nunca se deve fazer uma tatuagem a pensar que mais tarde vamos removê-la.”
Porquê? Porque as remoções de tatuagens são, segundo esta especialista, “demoradas, dispendiosas, dolorosas e não são 100% eficazes”. Habitualmente, uma tatuagem fica concluída numa sessão (excepto se forem projetos maiores), enquanto que a remoção de uma tatuagem costuma levar entre 6 a 10 sessões. Diz ainda a Rita que nunca se submeteu a nenhuma remoção, mas que as pessoas com quem já teve contacto que o fizeram dizem “doer três vezes mais que fazer uma tatuagem”.
Para além disso, remover uma tatuagem não resulta normalmente em pele “virgem”; o que acontece na maior parte das vezes é que a tatuagem fica mais suave ou quase desaparece, continuando a ser perceptível que algo se passa ali. Muitas vezes ainda, a pele fica com cicatrizes, mesmo que o pigmento desapareça quase por completo. Grande parte das vezes, a opção passa depois por fazer uma nova tatuagem por cima.

Contudo, se a solução passar mesmo por remover a tatuagem, existem clínicas neste tipo de tratamento, ao mesmo tempo que a tecnologia laser é aperfeiçoada para garantir resultados cada vez mais satisfatórios, e com cada vez menor risco de ficares com uma cicatriz na pele.
Se o fizeres, certifica-te apenas que consultas um técnico experiente no assunto, ou uma clínica com experiência comprovada.

As tatuagens e o mercado de trabalho

Neste momento da tua vida, poderá até parecer-te que estás muito longe de começar a trabalhar, mas o que é facto é que o tempo passa mesmo a correr. Mais importante do que isso ainda, a tatuagem que estás a pensar fazer é permanente, o que significa que vai estar no teu corpo na altura de encontrar um emprego.
Por isso, é importante desmistificar a ideia de que as tatuagens podem ser um fator negativo em contexto de entrevista de emprego. Verdade ou mentira? Falámos com Margarida Dias, Diretora de Recursos Humanos da empresa de recrutamento EY.

Como em muitas coisas na vida, poucas são as perguntas que têm apenas uma resposta certa. E quando falamos de entrevistas de emprego, para além de não haver respostas inteiramente certas ou erradas, não há receitas, de acordo com a responsável da EY: “Muitas vezes o impacto pode ser positivo ou negativo, dependendo do entrevistador ou da situação. Por exemplo, se o entrevistador for um amante de tatuagens, terá provavelmente um impacto positivo, e se a entrevista for para bartender, se calhar não faz mal…”, defende.
Contudo, convém não esqueceres que há empresas que são muito rigorosas com a imagem pessoal dos seus colaboradores, e por vezes existe até um dress code para garantir uma imagem institucional uniforme, como é o caso da EY, por exemplo. Em relação a isso, Margarida Dias refere que “há pessoas a trabalhar aqui que têm tatuagens, e não foi por isso que não foram admitidos. Mas não as exibem, normalmente, no seu dia a dia de trabalho”.

Mas como nada disto é linear, e como provavelmente irás a várias entrevistas de emprego, para vários tipos de trabalho, ao longo da tua vida, o melhor é “fazeres tatuagens em zonas menos visíveis”, na opinião da tatuadora Nouvelle Rita. Entretanto, a Margarida Dias deixa-te algumas dicas:

– Se tens tatuagens, veste-te e arranja-te de maneira a que não fiquem visíveis para quem te entrevista;
– Lembra-te que o impacto positivo ou negativo não é apenas para o entrevistador; é também para os clientes e colegas que irás ter no teu futuro emprego;
– As tatuagens são um tema delicado, como a religião, o clube de futebol ou a ideologia política. Evita-os durante a entrevista;
– Se o entrevistador te fizer perguntas diretas sobre esses temas, dá respostas sinceras mas concisas. Não te “alargues” para além do que te pareça razoável, mas sê genuíno.

[Reportagem: Tiago Belim]
[Fotos: Nouvelle Rita @ Facebook]

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