O acesso ao Ensino Superior vai mudar
A porta de entrada do Ensino Superior volta a abrir-se com menos obstáculos. A partir do ano letivo 2026/2027, o acesso às universidades e politécnicos portugueses passará novamente a exigir apenas uma prova de ingresso obrigatória, revertendo o modelo introduzido em 2023. O anúncio foi feito pelo ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, que confirmou que os candidatos do próximo concurso nacional já serão abrangidos pelas novas regras.
A decisão surge após a análise dos impactos do atual regime, aplicado pela primeira vez em 2025/2026. Os números falaram mais alto: menos de 50 mil candidatos na 1.ª fase, um valor que não se via desde 2018. Segundo o ministro, a combinação de três exames nacionais para conclusão do ensino secundário e duas provas de ingresso obrigatórias criou um efeito de exclusão silencioso — mas estatisticamente evidente. Cerca de 2.000 estudantes, apesar de concluírem o secundário, ficaram pelo caminho e não avançaram para o superior.
O problema, explicou Fernando Alexandre, não reside nas regras de conclusão do ensino obrigatório — que mantém — mas sim no modelo de acesso ao superior. A obrigatoriedade de duas provas funcionou como um filtro excessivo, penalizando percursos académicos diversos e afastando alunos que, em condições anteriores, teriam prosseguido estudos. “Quase metade da redução dos colocados resulta desta decisão”, afirmou, classificando-a como errada à luz dos resultados observados.
A reversão representa, assim, um regresso a um modelo mais flexível e conhecido, semelhante ao que vigorava até 2023, quando os exames nacionais serviam essencialmente como porta de entrada no ensino superior e não como barreira acumulada ao longo do percurso escolar. Um sistema que, recorde-se, contribuiu para taxas de conclusão mais elevadas — inclusive em contexto pré-pandemia.
Do ponto de vista institucional, o caminho está livre. O decreto-lei já se encontra preparado e reúne pareceres favoráveis do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos e do Conselho Nacional de Educação. O consenso sugere que o setor reconhece a urgência de ajustar o modelo à realidade dos estudantes — e não o contrário.
Mais do que uma alteração técnica, esta mudança reposiciona o acesso ao ensino superior como um mecanismo de equidade, inclusão e valorização de percursos diferenciados. Menos provas não significam menos exigência; significam, antes, uma avaliação mais justa, focada no essencial e menos refém de acumulações que penalizam talento, contexto e diversidade. Em 2026/2027, o acesso simplifica-se — e, com isso, o futuro académico de milhares de jovens pode voltar a ganhar margem para acontecer.








