ADN Escolas: Agrupamento de Escolas de Avis
O sistema de aprendizagem assume um pilar fundamental no desenvolvimento humano, cultural e social, focado [essencialmente] numa pedagogia inclusiva, que supere resultados e aposte na formação integral, no respeito pela diferença e na igualdade de oportunidades, aliando inovação, proximidade e abertura para o mundo.
Marco Rosa, Diretor, declara que “educar é um ato de humanidade.”
Viabilizando uma pedagogia de referência, a doutrina pedagógica sustenta princípios de partilha, respeito pela diferença e humanismo para uma sólida formação de base, orientada para a qualidade?
Educamos com base no princípio de que educar é um ato de humanidade. O nosso objetivo é proporcionar aos alunos as melhores oportunidades para se prepararem para a vida em todas as suas dimensões, indo muito além dos conteúdos programáticos.
Focamo-nos na formação integral do ser humano, assente na partilha, no respeito pela diferença e na valorização de cada pessoa. Não nos medimos exclusivamente pelos resultados académicos de uma pauta, os quais muitas vezes não refletem todo o esforço do aluno, sobretudo considerando a realidade do interior do país. Procuramos, sim, criar oportunidades, desenvolver o espírito crítico e promover a responsabilidade de cada um no seu percurso individual, focando-nos fortemente na inclusão e no acolhimento de novas realidades.
Mediante um concelho, marcado pelo isolamento, pela exclusão social e pelo despovoamento, a integração na rede “TEIP” possibilita um desempenho próspero, alicerçado no orgulho pela realidade local?
Ser um agrupamento TEIP não é uma etiqueta, mas sim um compromisso de equidade para garantir as melhores condições aos alunos.
O interior alentejano enfrenta desafios específicos, como o envelhecimento populacional, a escassez de recursos e fragilidades nas redes de apoio. Contudo, a dimensão do concelho permite uma enorme proximidade e conhecimento das famílias. O programa TEIP traz recursos humanos e materiais acrescidos que fazem a diferença, permitindo-nos incutir nos jovens o orgulho pela sua terra e o desejo de levarem o nome da região mais longe.
Procuramos também atrair novos habitantes, sendo que a qualidade de vida local e o trabalho à distância já têm trazido jovens casais. Acreditamos plenamente que é possível oferecer um ensino de qualidade no interior e é com esse propósito que trabalhamos.
Portugal enfrenta desafios estruturantes, nomeadamente a escassez de professores qualificados. A retenção exige condições concretas, que ofereçam estabilidade, recursos de vanguarda e reconhecimento?
Nos últimos anos, temos conseguido assegurar professores para todas as disciplinas no Agrupamento de Escolas de Avis, o que é motivo de orgulho, embora continue a ser uma preocupação constante.
As medidas de apoio do Governo para as escolas do interior têm incentivado alguns jovens docentes a mudar de vida e a fixar-se na região com as suas famílias, aproveitando o custo de vida mais acessível e a qualidade de vida do Alentejo.
Além de garantirmos docentes para todo o currículo, promovemos um ambiente calmo e de bem-estar, onde é possível conciliar o trabalho com o lazer. Paralelamente, apostamos em projetos estimulantes e significativos com os quais os professores se identificam, contando sempre com o apoio da Direção para implementar novas ideias.
Sob o mote “Saúda-te!”, a 9.ª edição do “Con.Raízes” dinamizou um intercâmbio, que reforçou competências transversais, como o sentimento de pertença e a capacidade de cooperação?
Sem dúvida. Este projeto, promovido pela rede de bibliotecas escolares do Alto Alentejo, estimula a ligação entre alunos de agrupamentos vizinhos.
Na última edição, a atividade desafiou os estudantes a analisar criticamente o papel dos municípios e a apresentar aos próprios autarcas propostas concretas para a juventude, como respostas de emprego e redes de apoio. A nossa biblioteca escolar dinamiza variadas iniciativas (como o Plano Nacional de Cinema e o Cine de Alte), funcionando como polo agregador do agrupamento. Adicionalmente, desde 2017 apostamos na internacionalização via Erasmus+, promovendo a mobilidade e acolhimento de alunos e docentes de diversos países (como Finlândia, Turquia, Grécia e Eslovénia).
Esta vivência em famílias de acolhimento vai além da aprendizagem escolar, desenvolvendo valores essenciais de tolerância, empatia, respeito intercultural e laços humanos duradouros.
A participação no “Technovation Girls Challenge” demonstrou que as disciplinas STEM desempenham um papel fulcral, enquanto motor de confiança, talento e liderança. O sucesso provou que o futuro se escreve no feminino e a partir do Interior do país?
Foi um motivo de enorme orgulho ver alunas do 2.º ciclo a representar a nossa escola e região, identificando problemas reais e apresentando as suas soluções em Lisboa (pitch), acompanhadas por mentoras de empresas multinacionais.
Este projeto combate a menor adesão feminina às áreas de STEM e engenharias, envolvendo no nosso agrupamento um grupo motivado de cinco alunas, o que representa uma percentagem muito expressiva para a nossa dimensão. Além disso, demonstra que é perfeitamente viável formar talentos no interior para o setor tecnológico, onde a flexibilidade do trabalho remoto permite exercer carreiras de âmbito internacional a partir de aldeias do Alentejo.
“Selo Saudável” espelha um compromisso, que fomenta espíritos resilientes. A consciência ecológica revela uma métrica, que transcende a simples reciclagem e acelera a preservação do património?
Além do selo de Escola Saudável, somos reconhecidos como Escola Sem Bullying e galardoados como Eco-Escola há vários anos. As nossas práticas cruzam o currículo com a sustentabilidade, promovendo a proteção do meio ambiente para formar cidadãos responsáveis e resilientes.
Esta abordagem vai muito além da separação de resíduos: trata-se de uma atitude perante a vida e de valorização dos recursos naturais locais, como o ar puro, a Albufeira do Maranhão e a nossa praia fluvial.
O agrupamento dinamiza também atividades náuticas através do Centro de Formação Desportiva de Remo, que recebe alunos de todo o país em colaboração com o município, reforçando o ambiente e a biodiversidade como recursos fundamentais a preservar.
Fernando Alexandre, Ministro da Educação, Ciência e Inovação, recomenda a extinção dos ecrãs. O equilíbrio das relações sofrerá consequências, que reivindicarão ferramentas de literacia?
A nossa posição não é de extremos. Atuamos como mediadores entre as tecnologias e os alunos, promovendo o diálogo com as famílias e a comunidade escolar. Acreditamos que é indispensável continuar a ler em papel, a saber escrever e a desenvolver a capacidade crítica, garantindo que os alunos não se limitem a delegar tarefas na inteligência artificial.
Como as tecnologias são uma realidade incontornável que veio para ficar, o papel da escola é capacitar os jovens para as utilizarem com espírito crítico, discernimento e responsabilidade, tirando delas o melhor proveito.
O stress, considerado a epidemia do século XXI, requer uma atuação precoce, que inclua equipas especializadas, tutorias e sessões de mindfulness, que impulsionem um ambiente saudável e de bem-estar?
Embora o Alentejo ofereça um ritmo de vida mais calmo, empenhamo-nos em garantir as melhores condições de bem-estar aos nossos alunos.
Para além do apoio psicológico especializado, apostamos fortemente no desporto e na atividade física como pilares de equilíbrio emocional. Promovemos iniciativas que envolvem toda a comunidade e famílias, como caminhadas semanais ao fim do dia, passeios de bicicleta e modalidades náuticas (remo, canoagem e stand-up paddle).
A atribuição do selo Escola Saudável reflete este cuidado com a saúde física e emocional. A dimensão reduzida da escola permite que professores e funcionários conheçam pessoalmente cada aluno, facilitando uma proximidade e uma intervenção atenta e humanizada sempre que alguém necessita de apoio.
De acordo com estudos recentes, cerca de 6% afirma já ter sido vítima de bullying. O crescimento de atos de violência demanda políticas de vigilância, que previnam casos de intolerância ou de discriminação?
Hoje em dia, a nossa atenção recai de forma muito especial sobre as novas tecnologias, uma vez que o cyberbullying tem vindo a sobrepor-se ao bullying presencial.
Atuamos preventivamente através de um acompanhamento muito próximo e contínuo por parte dos professores, assistentes operacionais e da equipa técnica (como a animadora sociocultural e o psicólogo). Todos os projetos que desenvolvemos focam-se no trabalho da empatia, incentivando os alunos a colocarem-se no lugar do outro e a compreenderem que cada colega tem as suas próprias dificuldades.
O nosso objetivo principal é ajudar a aliviar essa carga diária e prevenir qualquer situação de discriminação ou intolerância.
2026. O que podemos ansiar [daqui para a frente]?
Neste momento, estamos a acompanhar o processo de construção do novo Centro Escolar, prevendo que a transição para as novas instalações ocorra já no início do próximo ano letivo.
Depois de um período em instalações provisórias na antiga Escola Profissional da Herdade do Mezio, estamos entusiasmados por regressar à nossa “casa”, localizada na vila de Avis, onde enfrentaremos o futuro com toda a energia para dar continuidade aos projetos de sucesso que desenvolvemos, bem como para arrancar com novas iniciativas em prol da comunidade.












