Entrevista | Luís Loures: A mudança de prestígio
O atual ciclo de transformação rejeita a ideia de que o saber científico e a perícia técnica pertencem [apenas] a grupos restritos, solicitando o preenchimento de lacunas e o colmate de desigualdades.
Luís Loures, Presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) e do Instituto Politécnico de Portalegre, explica que o fortalecimento da capacidade de intervenção promete um diálogo autêntico e próximo.
Mediante uma quebra histórica de ingressos, o modelo de acesso ao Ensino Superior constitui uma prioridade?
Devendo assentar em princípios de equidade, transparência e previsibilidade, as alterações impõem uma avaliação cuidada das suas repercussões, sobretudo quando se verificam efeitos inesperados.
A implementação de parâmetros penalizantes para determinados núcleos cria barreiras adicionais gritantes, baseadas em contextos económicos ou geográficos, desvirtuando, assim, o conceito de qualidade, que se pretende inclusivo.
Registando uma “reforma profunda”, o Regime Jurídico (RJIES) assegura decisões, alinhadas com os desafios de coesão?
Com um reforço da autonomia institucional, articulada à qualificação populacional e ao desenvolvimento territorial, a revisão representa um momento importante para a modernização, que exige ações e discursos políticos coerentes, uma vez que, a título de exemplo, a associação da transição para “Universidade Politécnica” a um hipotético estímulo de “impacto” ignora, de forma depreciativa, décadas inequívocas de trabalho.
O desequilíbrio normaliza, ainda, a concentração de 56% do número de vagas em, apenas, dois centros urbanos, acentuando assimetrias entre o Litoral e o Interior, que representam uma clara escassez de oportunidades em áreas de menor pressão demográfica.
O financiamento público em infraestruturas ou equipamentos fomenta a retenção de talento e de investimento?
A Ação Social manifesta um dos pilares fundamentais para a democratização, contribuindo para ambientes atrativos, capazes de atrair estudantes internacionais e de fixar especialistas de renome, que promovem campus vanguardistas, laboratórios bem equipados, residências de alojamento e estruturas de apoio psicológico.
Sublinhando que a transferência de estudos e a dignidade de condições estabelece o fator crucial na escolha de destinos, a existência de um ecossistema robusto responde a realidades, que requerem soluções concretas e sustentáveis para o avanço das comunidades locais.
A outorga de doutoramentos confere um passo de afirmação. A influência da expansão garante relevância, competitividade e inovação?
O reconhecimento do grau, antes travado por bloqueios injustificados, simbolizou, de facto, um marco significativo num percurso de afirmação, composto pela lecionação, pelo acolhimento e pela liderança de planos de investigação aplicada.
Porém, o sucesso operacional desmente as convicções pessimistas de outrora, obrigando a uma correspondência inequívoca em recursos de ponta.
Hoje, a internacionalização evidencia uma presença de referência?
Totalmente.
Viabilizando uma projeção progressiva, o crescimento passa de objetivo a prova definitiva de uma competência global, que possibilita redes de cooperação e parcerias transfronteiriças.
A execução de programas de mobilidade e de iniciativas conjuntas assume o novo rosto de relações sólidas em consórcios, fortalecendo um posicionamento notável e respeitado.










