Politécnico de Setúbal passa de futuro a realidade
Mais de mil alunos do ensino secundário e profissional encheram, esta quarta-feira, os campi do Instituto Politécnico de Setúbal para participar em mais uma edição do “Campus Aberto”, a maior de sempre. Entre laboratórios, experiências interativas, música, desporto e contacto direto com estudantes e professores, a iniciativa transformou os espaços académicos num verdadeiro palco de descoberta para jovens que procuram perceber o que querem fazer depois do secundário e, acima de tudo, quem querem vir a ser.
Durante anos, o ensino superior foi vendido a muitos estudantes como uma ideia distante: um conceito abstrato feito de candidaturas, médias e decisões “para a vida”. Mas no Campus Aberto do IPS, essa distância desapareceu. Por um dia, o ensino superior deixou de viver nos folhetos e nos sites institucionais e ganhou som, movimento, perguntas, nervosismo e entusiasmo.
Os corredores encheram-se cedo. Vieram alunos de dezenas de escolas da região de Setúbal e da Área Metropolitana de Lisboa, acompanhados por professores, encarregados de educação e curiosidade suficiente para ocupar cada espaço do campus.
E talvez tenha sido precisamente isso que tornou esta edição diferente: não pareceu uma feira de cursos. Pareceu uma experiência. Enquanto alguns estudantes experimentavam atividades laboratoriais e contactavam com tecnologias utilizadas em diferentes áreas de formação, outros percorriam bibliotecas, salas de aula e espaços de convívio tentando imaginar-se ali dentro daqui a um ou dois anos. Havia quem fizesse perguntas sobre empregabilidade, quem procurasse perceber como funcionam as bolsas, quem quisesse apenas “sentir o ambiente”. Porque, para muitos jovens, escolher um curso já não chega, é preciso sentir que pertencem ao lugar.
O IPS percebeu isso. E em vez de apostar apenas em discursos institucionais, decidiu abrir as portas da forma mais humana possível: mostrando a vida académica sem filtros excessivos. Houve parede de escalada, bike tours, esgrima, atuações musicais, teatro, tunas académicas e zonas de street food espalhadas pelo recinto. O ambiente aproximou-se mais de um festival universitário do que de uma visita formal.
Mas por trás da componente descontraída existe uma estratégia clara. Numa altura em que o ensino superior enfrenta desafios ligados à captação de estudantes e ao abandono escolar, aproximar os jovens da realidade universitária tornou-se essencial. Muitas instituições perceberam que a decisão de continuar os estudos não depende apenas da oferta formativa, depende também da identificação emocional com o espaço, com as pessoas e com o estilo de vida académico.
Ao permitir que os estudantes entrem nos laboratórios, conversem com docentes, observem projetos reais e convivam com alunos universitários, o Politécnico de Setúbal está a fazer mais do que divulgar cursos. Está a desmontar a ideia de que o ensino superior é um território inacessível.
E isso nota-se no impacto que o evento teve. A edição deste ano foi a mais concorrida de sempre, um sinal evidente de que existe interesse dos jovens em explorar alternativas de formação mais práticas, próximas do mercado de trabalho e ligadas à inovação.
Num país onde muitos alunos chegam ao 12.º ano sem certezas sobre o futuro, estes momentos acabam por ter um peso maior do que parece. Porque às vezes basta entrar num campus, assistir a uma demonstração ou conversar cinco minutos com alguém da área certa para que uma decisão deixe de ser apenas uma obrigação — e passe finalmente a fazer sentido.
O Campus Aberto terminou ao final do dia. Os laboratórios voltaram ao silêncio, os corredores esvaziaram-se e os autocarros regressaram às escolas. Mas muitos dos jovens que passaram pelo IPS levaram consigo mais do que brindes ou fotografias. Levaram uma imagem concreta de um futuro que, até aqui, talvez lhes parecesse demasiado distante.
Colaboração Editorial: Mariana Sousa











