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ADN Escolas

ADN da Escola Secundária Reynaldo dos Santos

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Imagem cedida pela escola

Cada escola tem a sua identidade, mas o que é que a torna uma escola única? Serão os seus projetos educativos? Os professores? Os alunos? A metodologia adotada nas aulas? Num ano letivo tão atípico, a Mais Educativa foi falar com o diretor da Escola Secundária Professor Reynaldo dos Santos, professor Eurico Valente, para responder a isto e muito mais.

Todos os lugares têm a sua própria essência e cultura e as escolas não são exceção. Nesse sentido, como caracteriza e define o Agrupamento de Escolas Professor Reynaldo dos Santos?

Define-se pelo seu projeto educativo. Trata-se de um projeto diferente dos outros que parte de um lema próprio:
“Uma escola de todos, para todos e com todos, na construção do futuro”. Quer isto dizer que todos estão envolvidos neste projeto e, portanto, é um projeto extremamente ambicioso, de inclusão, que envolve toda a comunidade educativa. É portanto um projeto educativo que tem uma grande valência e que contribui para a formação integral dos nossos jovens estudantes.

Quais são as apostas formativas da vossa Escola no presente ano letivo e no seguinte?

Temos os cursos ditos normais, mas também temos o ensino profissional. Estamos de facto a apostar nos cursos profissionais, pois, no nosso ponto de vista é uma via importante para a formação dos nossos jovens. Temos cursos profissionais nas mais diversas áreas, como por exemplo na área do turismo (que tem sido um sucesso), na área da informática, que tem contribuído também para a formação de muitos jovens no nosso agrupamento. No próximo ano, continuaremos a apostar nos cursos profissionais e, naturalmente, também nos cursos de prosseguimento de estudos.

A Escola Professor Reynaldo dos Santos está envolvida em inúmeros projetos desde o Plano Nacional de Cinema, Vamos Cienciar, Walk the Global Walk, Escolas Amigas dos Direitos Humanos em parceria com a Amnistia Internacional. Estes são projetos que refletem a preocupação e sensibilização com a cultura, ciência e investigação, o ambiente e os direitos humanos. De que forma se envolvem os alunos e professores nestes projetos?

Isso tem sido uma das grandes bandeiras do nosso agrupamento, nós termos uma gama muito diversificada de projetos em vários domínios e claro, também ao nível dos direitos humanos. Tem sido importante o envolvimento de professores e alunos, sendo que, são os alunos que integram estes projetos, que participam e atraem outros colegas para dinamizarem muitas iniciativas neste âmbito e, isto de facto tem sido muito bom. Na área do ambiente são várias as iniciativas que têm sido realizadas, assim como nos direitos humanos, desde recolha e distribuição de bens, relações interpessoais que se estabelecem com os nossos alunos e toda a comunidade educativa, que tem contribuído bastante para o desenvolvimento integral dos nossos alunos. É um trabalho que eles estão a realizar, mas que contribui para a sua formação e isso tem sido fundamental no seu crescimento. Portanto, têm desenvolvido capacidades de liderança, a sua autonomia, iniciativa, resiliência e, em determinadas situações, de pensamento crítico. Uma vez que os alunos que se envolvem nestes projetos, do nosso ponto de vista, tornam-se melhores alunos pois desenvolvem as suas competências e estão a colaborar e participar numa vida melhor. Portanto, tem sido de facto muito importante haver estes projetos, pois contribui para a formação integral dos nossos jovens.

Em que aspeto esta participação da Escola e comunidade educativa nestas temáticas constitui uma mais valia?

Indiscutivelmente traduz-se por uma valorização dos seus conhecimentos, capacidade de autonomia, liderança, iniciativa, tudo isso se desenvolve por parte destes alunos. Eu mesmo tenho assistido a situações de alunos que, por vezes, têm dificuldade em expor as suas ideias e ao estar envolvidos nestes projetos conseguem participar facilmente em muitas iniciativas e deixam de estar inibidos.

Como é que estes projetos surgiram no Agrupamento?

Muitas vezes através de conhecimentos passados por parte dos órgãos de comunicação social e até mesmo por parte de outras escolas e dos próprios alunos. A própria câmara municipal também nos desafia nesse sentido e, outras vezes, parte das próprias instituições que ao conhecerem o nosso longo passado e o empenho do agrupamento, lançam-nos o desafio de participarmos nesses projetos e os alunos abraçam-nos de imediato.

Quais são os principais desafios que uma Escola Secundária que trabalha com jovens perto da idade adulta enfrenta atualmente?

Nós procuramos criar e desenvolver competências para que eles possam enfrentar da melhor forma o futuro. Para tal, é importante terem um conjunto de conhecimento no domínio do raciocínio lógico, científico, da comunicação digital e artística, assim como, é também importante desenvolverem competências no domínio das suas atitudes — valorizar e ter respeito pelo outro, saber intervir em termos de gestão de conflitos, cidadania e relação interpessoal. Todas estas competências são ferramentas importantes para que os nossos alunos possam amanhã enfrentar desafios e encarar o futuro da melhor maneira.

Pode então dizer-se que esta escola, além de estar a formar bons alunos, preocupa-se em formar bons cidadãos?

Exatamente, trata-se da formação integral dos jovens, porque não podemos pensar só no jovem que tem uma formação científica excelente, mas há também uma preocupação para que tenha uma boa formação pessoal e social. E é esta articulação e nas suas atitudes que nós procuramos trabalhar.

A situação de pandemia obrigou a que muitos contactos interpessoais passassem a ser realizados à distância e as aprendizagens foram comprometidas. Está previsto existir um planeamento diferente ao nível das aprendizagens durante o próximo ano letivo, ou até uma atenção redobrada ao nível social e humano, de forma a não se perder a dimensão social da Escola?

Indiscutivelmente as aulas presenciais têm de existir. A escola é um ecossistema e nós vivemos numa relação de interdependência, de contacto, de partilha, e isso é extremamente importante. De facto, a pandemia e o ensino à distância vieram acelerar o uso das ferramentas digitais, que são uma mais valia para que possamos melhorar o trabalho que se desenvolve nas escolas, mas é um complemento das aulas presenciais, daquilo que realizamos dentro do espaço físico escola, onde acontecem também as relações interpessoais, que são extremamente importantes.

Como considera que foi a adaptação desta escola ao ensino a distância?

A adaptação foi excelente e o balanço extremamente positivo. Numa semana nós passamos de aulas presenciais para aulas à distância e tudo isso foi possível graças ao empenho de todo o corpo docente e não docente e, também das famílias. Estávamos todos envolvidos neste grande problema, empenhados em tentar resolvê-lo e de facto numa semana passámos de uma situação para outra totalmente diferente. Devo dizer que não foi nada fácil, foi um grande desafio, mas agora quando olho para trás sinto que todo o empenho valeu a pena. Ao nível do material, há sempre problemas associados, porque nem todos os alunos tinham os materiais necessários, mas a escola disponibilizou computadores e até mesmo fotocópias, assim como a autarquia, para que os alunos pudessem assistir às aulas a partir de casa. De facto, foi uma operação logística de grande envergadura, que foi passível de realizar graças ao empenho de toda a comunidade escolar.

Quanto às competências digitais, considera que o corpo docente e não docente possuía as competências necessárias para se adaptar a um ensino diferente do habitual?

Tanto alunos como professores possuíam algumas competências, mas uma coisa que fizemos de imediato foram tutoriais e, criamos uma equipa de professores para prestar auxílio em tempo real a quem tivesse mais dificuldades. Ou seja, era possível colocar questões que imediatamente ficavam resolvidas, de modo a que o ensino não ficasse de maneira alguma comprometido.

Considerando a situação e desafios que o mundo e a sociedade atravessam atualmente, quais são os valores fundamentais a serem transmitidos aos jovens?

O valor da cidadania, respeito, solidariedade, compreender o próximo, estes são os valores fundamentais para ter um mundo melhor. É importante olhar para o mundo na sua globalidade, priorizando as relações interpessoais que se estabelecem entre todos.

Uma vez que a Escola Secundária Professor Reynaldo dos Santos faz parte do Agrupamento de Escolas Prof. Reynaldo dos Santos, os alunos que chegam a esta escola normalmente pertencem ao agrupamento?

Sim, sem dúvida, os alunos dão continuidade e isso de facto é uma mais valia, pois o nosso projeto educativo é comum ao agrupamento. Portanto, um aluno quando entra para o pré-escolar pode fazer todo este percurso e, viver o espírito deste projeto educativo. Desde logo aqui começa a aprender e é o que se pode chamar, um aluno da Reynaldo. Eu mesmo, sou professor nesta escola há quase 40 anos e fiz aqui o ensino básico e secundário. Temos até um grupo de antigos alunos da Reynaldo, que estão em permanente contacto e até acontece com alguma frequência, esses antigos alunos virem à escola falar da sua experiência. Portanto, recebemos pessoas de várias áreas profissionais que contam aos nossos alunos como foi a entrada para a faculdade, as dificuldades sentidas durante o percurso académico e profissional e este tipo de iniciativa tem sido muito gratificante. Nós procuramos com isto abrir horizontes aos nossos alunos e, agora infelizmente não é possível, mas antes da pandemia o auditório ficava sempre cheio quando recebíamos um ex-aluno.

Para finalizar, uma questão importante ao nível do abandono escolar, que tipo de medidas esta escola tem adotado em situações iminentes de abandono?

Não temos abandono escolar pois procuramos da melhor forma encontrar soluções adequadas aos nossos alunos.
Para isso, criámos o centro de apoio à aprendizagem e o GAAF – Gabinete de Apoio ao Aluno e à Família e, procuramos intervir o mais cedo possível, de forma a levar o aluno a encontrar as melhores escolhas, para que não chegue a uma situação de rutura e acabe por sair. Isto é algo que não queremos que aconteça e, por isso, trabalhamos previamente de forma a impedir o abandono escolar.

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