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Opinião| Pandemia. Já fizeste as contas ao que ganhaste e perdeste?

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Imagem cedida por Adriana Coutinho

É verdade. Estou contigo. Também já não consigo ouvir falar da “pandemia” e de todos os palavrões que dela fazem parte as variadíssimas notícias e abordagens do mundo atual. Mas é verdade também que ainda não temos outro remédio senão pensar nela e no que andamos a perder e a ganhar com esta mudança. Já fizeste as contas?

Dediquei-me nas últimas semanas a recolher testemunhos de alguns jovens, entre os 14 e os 18 anos, e pedi-lhes apenas que partilhassem três hábitos que tenham ganho e três hábitos que tenham perdido por força de estarem fechados em casa durante a pandemia. Apesar de subtis diferenças, a grande maioria mencionou que evoluiu muito a aprendizagem no uso do computador, que aumentou o “consumo” de música (mesmo até como método de estudo) e a realização de videoconferências para se encontrarem com os amigos. Mas depois deparei-me com as respostas sobre as perdas. Diria que 90% das respostas incidiram na falta de exercício físico, falta de vontade em se vestir e arranjar de manhã (podendo ficar dias inteiros com o pijama) e ainda (diria que talvez a mais grave de todas), a perda de ritmo e foco nos estudos. Ironicamente, mais horas em frente ao computador não significou necessariamente melhor aproveitamento escolar, mas sim falta da noção do tempo, distrações entre pausas consecutivas para ver vídeos ou estar nas redes sociais e, falta de motivação. Ou seja, estamos perante o antigo dito que “comportamento gera comportamento” e neste caso funciona a título individual. A nossa própria condição aumenta a nossa inércia e com ela todos os problemas que arrasta consigo: ansiedade, tristeza, confusão, desmotivação, insegurança, depressão entre tantas outras questões do foro psíquico que são, infelizmente, cada vez mais emergentes.

De acordo com a especialista em Saúde Mental, Larisa Andras, existem 7 Micro Hábitos que uma vez adquiridos são transformadores e altamente eficazes para uma vida mais consciente, produtiva e feliz:

1. Atrasa as tuas reações

Eu sei, eu sei, o mundo muda rapidamente. Mas isso não significa que tenhamos de responder rapidamente a tudo. Aprende a dizer “Decido mais tarde” ou outras frases semelhantes. Vai dar-te o tempo necessário para perceberes (mais lá à frente) que afinal aquele convite não se encaixa no teu dia. Vais poupar uma grande quantidade de tempo e deceções a longo prazo.

2. Força-te a concluir uma tarefa que não tens vontade

Todos os dias escolhe uma pequena tarefa que não queres fazer e vai em frente com ela. Desde lavar a louça a fazer a cama. Pode ser qualquer coisa. Depois de fazeres isso durante alguns dias, vais perceber que o problema não é a tarefa em si, é o teu hábito de adiar as coisas. É ser confortável, especialmente quando tens uma escolha. Na maioria das vezes, depois de dares o primeiro passo, passa a fazer parte da tua rotina e deixa de ser algo mau.

3. Passa um dia longe das redes sociais

Houve dias em que o meu telemóvel era a extensão da minha mão. Eu agarrava-o sem motivo e navegava nas redes sociais por 30 minutos sem perceber. Já nem sou grande fã das plataformas sociais, mas não posso nem quero desistir delas para sempre. O Facebook é uma ótima maneira de saber mais sobre eventos locais e o Instagram é uma grande fonte de inspiração. Mas tudo isso é útil se usarmos com moderação. Então, em vez de excluir as apps do meu telefone, decidi que não vou usá-las aos domingos. E foi o que fiz. Depois de quatro semanas, reduzi drasticamente o meu tempo de ecrã e defini um limite de 1 hora para as redes sociais.

Portanto, se queres entrar nesta “causa”, começa aos poucos. Passa um dia longe das redes sociais ou nem ligues o Wi-Fi. Depois de perceberes que não estás a perder rigorosamente nada por estares off-line um dia, vais conscientemente escolher passar menos tempo on-line todos os dias.

4. Come com atenção

Quando comes enquanto trabalhas, estudas ou vês um filme regra geral comes mais do que precisas. Além disso, não consegues apreciar a comida, nem estás a ser produtivo.

Almoçar ou jantar não demora mais do que 10-15 minutos. Da próxima vez que comeres, faz exatamente isso: come. Vais constatar que é difícil não pegares no telefone, mas só o simples facto de que tens de te convencer a não fazer isso é o suficiente para levantar algumas questões.

5. Usa um cronómetro para as tuas tarefas:

Conciliar tantas tarefas diárias, nomeadamente o estudar não é fácil e por isso é importante definir um cronograma e cumpri-lo. Podes, por exemplo, estudar 40 minutos, fazer um intervalo de 15 minutos e, em seguida, estudar mais 40 minutos.

Este é um dos principais truques que têm ajudado milhares de pessoas a cumprirem os seus prazos. É a chamada Técnica Pomodoro, também conhecida por Bíblia da Produtividade, e ficou famosa porque realmente funciona. De todos os micro hábitos que menciono aqui, este foi o que mais me ajudou.

6. Coloca o telemóvel no lado oposto do quarto

Se enquanto dormes o telemóvel está ao teu lado então quando o despertador toca vais simplesmente adiá-lo de forma repetitiva até que seja (quase) tarde demais. Mas, para a maioria de nós, a parte difícil é o ficar de pé, não o acordar. E é por isso que este método funciona. Quando o telefone está no outro extremo do teu quarto, vais ter de te levantar e dar alguns passos para que ele pare de tocar. São nesses breves momentos que vais perceber que também tens, por exemplo, sede e muito que fazer nas próximas horas. Entretanto já perdeste a vontade de regressar à cama.

7. Escreve cada ideia

“Está tudo bem, eu depois lembro-me” devia entrar para a história como a maior mentira que contamos a nós mesmos. De todas as coisas que “apanhas” durante o dia, acabas por esquecer mais de metade. Portanto, cria o hábito de escrever tudo, até as coisas parvas que pareçam sem importância. Vais ver que, mais cedo ou mais tarde, servirão para algum propósito.

Falei-te dos 7 micro hábitos, mas queria ainda dizer-te algo muito importante: a principal razão pela qual as pessoas não alcançam os seus objetivos! Sabes a razão? É porque fazem mudanças demasiado grandes ou drásticas em vez de criarem pequenos hábitos diários. Para o fazeres também, só precisas de seguir mais duas regras muito simples:

ü Abandona um mau

Faz uma lista de todos os teus maus hábitos e dos quais te queres ver livre. Em vez de entrares numa guerra contra ti ao tentares desfazer todos ao mesmo tempo, escolhe apenas um e concentra-te nisso. Dá pequenos passos. Não deixes radicalmente de fumar, fuma um cigarro a menos por dia. Compra menos uma coisa desnecessária todas as semanas. Pára de comer uma das muitas (ou poucas) coisas das quais queres desistir. Só depois de abandonares um mau hábito é que podes começar a trabalhar noutro.

ü Adiciona um bom

O pensamento do ponto anterior vale também para todas as boas mudanças que desejares fazer. Não tentes beber logo 2 litros de água todos os dias se no dia anterior bebias apenas 1 copo. Em vez disso, tenta beber 2 copos por dia e aumenta lentamente. Adiciona mais um vegetal ao teu prato. Corre mais um minuto na passadeira. Lê mais uma página todas as noites. Escolhe algo com o qual estás a lutar e aumenta lentamente o tempo que gastas a construir esse bom hábito. Quando sentires que se tornou um hábito, começa então a trabalhar no próximo.

Autora do artigo: Adriana Coutinho, mentora na Motto – Consulting, Mentoring, Reshaping Young Careers

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