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Opinião | Profissão – Separar a Realidade da Ficção

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Imagens de: Adriana Coutinho

Há 23 anos quando tive de escolher, em definitivo, para que curso universitário seguir, ainda andava dividida entre as três paixões que tinha: Psicologia, Teatro e Comunicação. Tive a sorte que todas se incluíam na área de Humanidades e por isso, aos 15 anos, quando tive de escolher a área, nem foi assim tão mau. Difícil foi aos 17.

Difícil foi ter de fazer a destrinça entre todos os conselhos e estímulos que me chegavam das mais variadas pessoas. Eram os meus pais sempre preocupados com o lado financeiro, que tivesse uma profissão “que desse dinheiro e carreira”, os meus amigos que não queriam ir para a universidade sozinhos, pois viam esse percurso quase como uma continuidade do secundário, os professores que se dividiam entre o teatro e a psicologia e, no meio disto tudo, ainda tinha de tentar descobrir o que é que eu queria? E será que o que eu queria, seria assim tão diferente da dureza de dececionar os meus pais ou aquela melhor amiga que fica para a vida?

Acabei por optar pela área que achei que poderia combinar um pouco de tudo – o Marketing e Comunicação – aquela que me permitiria aliar o meu talento criativo com os Soft Skills (na época o termo nem existia, eram apenas competências pessoais) que já tantas pessoas identificavam como sendo o meu ponto forte. O curso até correu bem. Complicado foi depois. Então, e o trabalho não é aquilo que vemos na televisão?

Não, o trabalho não são pastas executivas debaixo do braço e um fatinho justo a condizer. O trabalho não são só reuniões produtivas cheias de pessoas dispostas a dar o seu máximo pela empresa. O trabalho não são só médicos doutores que, entre correrias pelos corredores, conseguem salvar a vida a toda a gente. O trabalho não são apenas aqueles professores que chegam a uma escola de alunos com dificuldades e que com um “poema” conseguem motivar todos para os estudos. O trabalho nem sequer é sempre justamente remunerado. O trabalho/uma profissão não é uma ficção e, para correr bem, deve ser uma forma de vida. Um trabalho que não sintas que é trabalho!

No meu início de carreira foi altamente desafiante lidar com aquilo que durante tantos anos, e enquanto estudante, fantasiava: o que poderiam ser as minhas profissões e o que vim a perceber depois, ou seja, o que seria na realidade. E havia mais como eu. Todos os meus amigos, das mais diversas áreas – música, advocacia, psicologia, medicina, e poderia continuar – se queixavam do mesmo: “eu não sabia que era assim” e, havia todo um primeiro desmoronar do sonho de estudante que era o eco da voz dos nossos pais: ter uma carreira.

Todas as profissões, tal como tudo, têm um lado mais cruel que obriga a sacrifícios e perseverança, que, tal como na escola, exige de nós, e é preciso amar ou pelo menos gostar muito do que se faz para que esse esforço não pese tanto nas vossas vidas. Mas atenção, não vos quero assustar, apesar de tudo, as notícias do mundo de agora são boas porque têm ao vosso alcance ferramentas e solicitações que não existiam há 20 anos. A informação sempre à distância de um “clique”, a mentoria especializada para jovens estudantes e para a gestão das suas carreiras é algo valioso que, mesmo os mais esclarecidos, devem aproveitar. Porquê? Porque existem sempre dúvidas e um acompanhamento isento tornará possível uma decisão mais informada e confiante da vossa parte.

Tive um Mentor aos meus 38 anos. Porquê com essa idade perguntam vocês? Porque cheguei a uma fase em que já não sabia o que poderia fazer mais, mas, afinal, descobri que ainda podia fazer tudo. Hoje, mesmo com uma vida a correr bem, penso na diferença que teria feito, quando era mais jovem, o ter tido uma pessoa a esclarecer-me, para me abrir portas e, acima de tudo, para me ajudar a separar a realidade da ficção sem que isso significasse desapaixonar-me pelo trabalho, mas sim dar-lhe um propósito. O meu propósito.

E tu, sabes qual é o teu?

Autora do artigo: Adriana Coutinho, Mentora na Motto

A Motto dedica-se ao Mentoring e Consultoria de Carreira direcionada a jovens, dos 13 aos 29 anos, que necessitem de clarificar as opções de vida, trabalho e carreira que têm no futuro aliadas ao seu talento e mote de vida.

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