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Quem quer se empreendedor?

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Adobe Stock /Cedidas pelos entrevistados

És daquelas pessoas que tem uma ideia na manga para um produto ou serviço inovador? Ou simplesmente ambicionas ser o teu próprio chefe? Então certamente já ouviste falar em startups e em empreendedorismo, mas será que sabes realmente o que são e porque são falados por tanta gente? Convidamos-te a descobrir este mundo com a ajuda dos responsáveis de algumas das principais entidades ligadas ao setor em Portugal.

O QUE É O EMPREENDEDORISMO E A QUEM SE DESTINA?

Nos últimos anos, temos assistido ao nascimento de muitas empresas e a uma tendência crescente dos jovens em apostar num negócio em nome próprio. Há quem diga que há uma espécie de “moda” das startups e aponte o risco de se olhar para esta realidade como uma solução mágica para resolver os problemas de emprego em Portugal. Será exatamente assim, ou o empreendedorismo pode realmente ser uma opção viável? Perguntámos a três entidades distintas, cada uma delas com um papel importante neste ecossistema, o que é efetivamente o empreendedorismo e se ele corresponde de facto a uma via para o emprego.

A Agência Nacional de Inovação (ANI) é um organismo estatal com a missão de apoiar a inovação tecnológica e empresarial em Portugal e, na pessoa do seu Presidente do Conselho de Administração, Eduardo Maldonado, defende que o empreendedorismo “é um instrumento muito importante para criar emprego, riqueza e coesão social e territorial. No entanto”, aponta, “para aumentar as hipóteses de sobrevivência dos negócios, é essencial que se trate cada vez mais de um empreendedorismo qualificado, baseado no conhecimento e na inovação, apoiado por políticas públicas adequadas e pela maior disponibilidade de fundos (capital de risco) para permitir o seu crescimento”.

Outra das entidades públicas que desenvolve programas de apoio à criação e desenvolvimento de projetos empreendedores é o IAPMEI, I.P. – Agência para a Competitividade e Inovação, que daqui em diante designaremos simplesmente por IAPMEI. Nuno Mangas é o Presidente do Conselho Diretivo e sustenta que “assistimos em Portugal a um movimento crescente de vocação empreendedora, visível não só pelo número de empresas e de emprego criados, mas também pela dinâmica do ecossistema empreendedor e pelas políticas públicas e instrumentos de apoio disponíveis”. Para este especialista, o empreendedorismo “assume particular relevância na criação de emprego, inovação, produtividade e crescimento económico, com Portugal a apresentar uma elevada taxa de criação de empresas, situando-se acima da média europeia” e as “escolas, universidades e politécnicos, incubadoras e aceleradoras, organismos públicos e municípios têm revelado uma forte consciência coletiva da importância que o empreendedorismo representa”.

Consultámos também a Startup Lisboa, uma das primeiras incubadoras de negócios em Portugal (mais à frente neste artigo explicamos-te exatamente o que isso é) e o seu Diretor Executivo, Miguel Fontes: “O empreendedorismo não é nem uma moda nem uma panaceia para resolver o problema do desemprego jovem. As startups começaram curiosamente a surgir em Portugal no auge da última crise económica e financeira que o país atravessou, no entanto não é à crise que devemos creditar esta dinâmica. Pelo contrário, é ao resultado de anos sucessivos de aposta na qualificação dos jovens e ao facto de estarmos completamente integrados numa economia exposta aos desafios e a soluções globais.”

Uma nova realidade que, sustenta, tem os seus riscos e não se aplica a toda a gente. “Esta possibilidade que hoje existe é dada pela tecnologia, de pensarmos em soluções inovadoras, escaláveis e, por isso, globais. A par da qualificação, ser empreendedor também implica uma enorme determinação e capacidade de sobreviver num contexto marcado pela incerteza e pelo risco. No entanto, e porque falamos de soluções inovadoras, há que ter a noção exata de que estamos a falar de empresas onde existe risco de insucesso. Por aqui se percebe que, apesar das startups contribuírem hoje de forma significativa para a criação de emprego, não podem ser olhadas como a resposta para a criação do emprego de cada um.”

AS CARACTERÍSTICAS DE UM BOM EMPREENDEDOR

Como já pudeste perceber, são os próprios especialistas a afirmar que o empreendedorismo tem riscos e que não é para qualquer um. Mas afinal o que é preciso para se poder ter sucesso numa aventura como esta? Quais as características que definem um bom empreendedor?

Miguel Fontes da Startup Lisboa defende que “uma vez mais, não há um retrato robô único. Porém, há algumas características que é possível identificar. Manifestamente, é fundamental ser-se alguém muito determinado, resiliente, flexível e com grande capacidade de iniciativa. Mas não se pense que o sucesso ou insucesso depende exclusivamente de características pessoais. Igualmente importante é reconhecer-se que ninguém, sozinho, reúne em si todas as competências necessárias que criar uma startup de sucesso implica. É fundamental a complementaridade de perfis numa equipa. Por outro lado, como já referi, o muito bom conhecimento do mercado em que se pretende atuar é também essencial. E isso afere-se pelo networking que se vai construindo e pela capacidade de ir buscar a esse mercado os apoios necessários, seja através do acesso a mentores de excelência, seja a investidores, seja mesmo a concorrentes.”

Já Eduardo Maldonado da ANI é da opinião que “as empresas com maior sucesso serão as orientadas para os mercados globais, que desenvolvam soluções para resolver problemas reais das pessoas e da sociedade, mas também as que consigam colaborar com outras empresas e entidades e que desenvolvam práticas sustentáveis. Para tal, os nossos jovens e empreendedores têm também de ter visão e pensar de forma global, bem como obter, na sua formação, as competências que lhes permitam aprender, colaborar e partilhar.”

O IAPMEI, através do seu presidente Nuno Mangas, aponta “os investimentos realizados na última década em Portugal, quer na qualificação das pessoas, quer em infraestruturas e em tecnologia, que oferecem hoje muitas oportunidades para quem pretende desenvolver novos negócios. Também a academia e as incubadoras desempenham, no terreno, um papel muito importante no apoio ao desenvolvimento da ideia, e à criação e crescimento das startups”. Este profissional menciona ainda “a existência da Rede Nacional de Mentores, que conta com o envolvimento de profissionais (mentores) que partilham a sua experiência com potenciais empreendedores, constitui um importante apoio para um empreendedorismo qualificado” e remete para “a informação de apoio ao empreendedorismo publicada no website do IAPMEI, como seja o manual e guia prático do empreendedor, como construir um plano de negócio, criar e consolidar passo a passo”.

O MOMENTO CERTO PARA COMEÇAR UM NEGÓCIO

Uma das perguntas que pode neste momento estar na tua cabeça tem a ver com o momento de dar início à aventura de constituir uma empresa e de montar um negócio. Haverá uma altura ideal para o fazer? Deve a preparação ser iniciada cedo, ainda durante o Ensino Superior? Ou é preferível ingressar primeiro no mercado de trabalho e conhecer melhor o mundo empresarial e o que já existe? Ou será que tudo isto depende da definição da ideia?

Miguel Fontes da Startup Lisboa é perentório na resposta: não existe uma receita mágica ou um momento ideal para criar o negócio. “Não há nenhuma receita mágica. É sempre a combinação de diversas variáveis. Seguramente, que uma das mais importantes é estar convicto de que se possui o conhecimento suficiente, seja do ponto de vista tecnológico, seja sobre o mercado e sobre a solução que nos propomos desenvolver e implementar. Por isso, é mais fácil estar em condições de empreender quando estas condições se reúnem do que ao contrário. Por outro lado, as condições pessoais também são importantes. Há fases da vida onde pode ser mais fácil empreender do que outras. É sempre uma ponderação que resulta de todas estas questões”, assegura ainda.

Nuno Mangas do IAPMEI acrescenta que “os empreendedores são importantes agentes de mudança e contribuem para acelerar a criação, a disseminação e a generalização de ideias inovadoras. Estimular a capacidade empreendedora passa por induzir comportamentos favoráveis à inovação sistemática, por criar dinâmicas de aperfeiçoamento contínuo e por acelerar o processo de modernização e crescimento económico. Trata-se de uma tarefa relevante e complexa que pressupõe e requer uma intervenção pluridisciplinar, abrangente e mobilizadora da sociedade. O que é necessário para ser empreendedor? Segundo testemunhos de empresários de sucesso, é ter uma boa ideia, acreditar muito, e não desistir”, aconselha.

A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO NA FORMAÇÃO DE UM BOM EMPREENDEDOR

Para os especialistas no assunto, vindos dos mais diversos setores de atividade, já não é novidade a excelente qualidade dos jovens que completam o Ensino Superior em Portugal, quer nas Universidades, quer nos Politécnicos. De acordo com o Presidente do Conselho de Administração da ANI, “a melhor prova disso é que, durante a crise de há uns anos, tal como no presente, um elevado número encontrou facilmente colocação nos países tecnologicamente mais avançados na Europa e no resto do Mundo”.

Significa isto que as nossas instituições de ensino estão a conseguir ajustarse a um mercado de trabalho que está sempre a mudar? Para a Agência Nacional de Inovação, “as competências adquiridas pelos alunos continuam a ajustar-se com normalidade às necessidades das empresas e do mercado de trabalho mediante uma contínua articulação entre os órgãos de gestão das instituições de Ensino Superior e o tecido empresarial. As alterações aos curricula e às metodologias de aprendizagem são sempre graduais e estamos certos de que as nossas instituições de Ensino Superior não deixarão de acompanhar o progresso e a oferecer uma formação consentânea com as competências que virão a ser valorizadas pelas empresas durante a próxima década.”

E as escolhas que te cabem fazer no eu percurso académico? Que áreas respondem melhor ao que o mundo profissional hoje pede? Num mercado de trabalho que se encontra em constante mutação, não é fácil os estudantes fazerem sempre as escolhas mais adequadas. Eduardo Maldonado da ANI refere que “muitos dos empregos disponíveis daqui a 5 anos ainda não existem nos dias de hoje, pelo que há sempre um certo grau de incerteza nessa escolha. Mas há áreas onde a procura é consistentemente maior, nomeadamente as formações em áreas mais tecnológicas (as competências “STEM” – Science, Technology, Engineering and Mathematics), onde mais nasce a inovação de base tecnológica. Mas há também muitas oportunidades interessantes na Inovação Social.” É por isso que, na opinião do responsável máximo da ANI, as formações oferecidas “cada vez mais valorizam a capacidade de pensar e aprender a encontrar soluções, o empreendedorismo e, portanto, a capacidade de adaptação às novas realidades. Como é reconhecido, já não há empregos que durem toda uma vida, pelo que todos devem considerar sempre a necessidade de uma formação contínua ao longo da sua vida profissional e estar abertos à possibilidade de virem a ter várias profissões”.

Considerando tudo isto, nunca te esqueças que é fundamental escolheres sempre um caminho que te realize enquanto pessoa. Faz algo de que gostes. Afinal de contas, vais passar uma parte substancial da tua vida a trabalhar.

AS INCUBADORAS DE NEGÓCIOS

Provavelmente, já ouviste falar neste conceito, mas poderás não saber exatamente o que significa. A Startup Lisboa é um dos bons exemplos de incubadoras de negócios que temos em Portugal, que te explica na primeira pessoa o que é e o que faz através do seu Diretor Executivo. “Somos uma incubadora especializada em apoiar o desenvolvimento de negócio de startups. A nossa proposta de valor organiza-se em torno de 5 eixos: primeiro, acesso a uma rede altamente curada de mentores; segundo, acesso a uma rede de parceiros e aos seus serviços, que se afiguram estratégicos para os empreendedores (desde as grandes empresas tecnológicas até às sociedades de advogados, por exemplo); terceiro, exposição mediática e ao ecossistema; quarto, acesso a uma rede qualificada de investidores (de business angels a sociedades de capital de risco); por último, e aquele que acreditamos ser o eixo mais distintivo do nosso ADN, o beneficiarem de fazer parte de uma comunidade com outros empreendedores, o que é seguramente a melhor forma de acelerar o go-to-market. Para se ser incubado na Startup Lisboa, as startups devem ter já um serviço ou produto inovador, potencialmente escalável e uma equipa altamente motivada e resiliente. Temos incubadas em fases muito diversas, mas predominantemente estamos mais focados no que se costuma designar de early stage, preferencialmente já com um MVP (minimum viable product).”

Ao fim de oito anos de atividade, a Startup Lisboa já ajudou várias empresas que hoje são um sucesso comprovado a dar os seus primeiros passos. Miguel Fontes esclarece que já foram apoiadas “mais de 400 startups, entre as quais a Uniplaces, a Indie Campers, a Codacy, a DefinedCrowd, a Valispace, Doppio e a Secret City Trails e por aí fora. A lista é infindável e por isso convido-vos a que visitem o nosso site onde, para lá das startups atualmente incubadas, também poderão aceder aos nossos alumni”.

A INTERVENÇÃO DO IAPMEI

O IAPMEI promove um conjunto alargado de programas, iniciativas e serviços, privilegiando a obtenção de níveis elevados de colaboração e de trabalho em rede, em benefício dos empreendedores, das Pequenas e Média Empresas (PME) e do seu ecossistema.

De acordo com o Presidente do Conselho Diretivo desta entidade, “sendo o empreendedorismo uma área multidisciplinar, o IAPMEI também tem uma assinalável intervenção junto do ecossistema empreendedor, de que é exemplo a sua atividade na Enterprise Europe Network, a maior rede do mundo de apoio às PME, startups e clusters com ambição internacional”.

O programa StartUP Voucher é um dos programas a cargo do IAPMEI e tem como objetivo apoiar o desenvolvimento de projetos empresariais que se encontrem na fase de ideia, durante um período máximo de 12 meses. Destina-se a jovens entre os 18 e os 35 anos e, segundo Nuno Mangas, engloba “um conjunto de apoios técnicos e financeiros”, de que destaca:

• Bolsa – valor mensal de 691,70 euros, atribuído para o desenvolvimento do projeto empresarial, num máximo de duas bolsas por projeto empresarial;

Mentoria – acesso a uma rede de mentores que fornecem orientação aos promotores;

Acompanhamento do projeto – por parte de incubadora acreditada, publicada no website do IAPMEI;

Prémio de avaliação intermédia – atribuição de prémios no valor de 1.500 euros aos projetos que obtenham avaliação intercalar positiva em função do cumprimento dos objetivos de cada fase;

Prémio de concretização – atribuição de um prémio no valor de 2.000 euros à concretização do projeto empresarial através da criação de empresa com a constituição de sociedade comercial.

O responsável máximo pelo IAPMEI dá conta também do “programa StartUP Portugal, lançado em 2016, que apresenta um conjunto de 40 medidas, visando concretizar a estratégia nacional para o empreendedorismo, tendo três eixos de atuação: ecossistema, financiamento e internacionalização”. Há ainda:

• Os Vales de Incubação;

Programa Semente, para apoiar investidores individuais que estejam interessados em entrar no capital social de startups inovadoras;

Linha ADN StartUp, uma linha de crédito específica para startups e microempresas na fase inicial do seu ciclo de vida.

Texto de: Beatriz Cassona

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[Fotos Cedidas pelos entrevistados]

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