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João Costa: “Encarem esta prova como algo normal. Como andar de bicicleta: quem sabe, pega na bicicleta e anda.”

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Entrevista a João Costa, Secretário de Estado da Educação.

 

OS EXAMES NACIONAIS SÃO UMA FASE DECISIVA PARA OS JOVENS! COMO SE PODEM PREPARAR PARA TER SUCESSO NESTAS PROVAS?

A primeira resposta é óbvia: estudar! Depois, é muito importante desdramatizar e ter calma. Quem trabalhou bem ao longo dos anos não tem razão para pensar que o exame vai correr mal. O que pode ser mais complicado é o excesso de nervosismo.. É preciso olhar para as provas de anos anteriores, estudá-las, ver onde existe uma maior incidência de falhas… Muitas vezes, os alunos falham mais no exame não naquilo que têm de decorar, mas sim na sua capacidade de ler e interpretar devidamente o que lhes é pedido, na capacidade de escrita e de usar a linguagem adequada. O meu conselho seria investir nestas áreas de compreensão de leitura, de interpretação e de reflexão – a par do trabalho mais normal, que é o estudo do conhecimento em si.

 

UM BOM PERCURSO NO ENSINO BÁSICO E SECUNDÁRIO É DETERMINANTE PARA ESTABELECER AS BASES PARA UMA MELHOR EXPERIÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR?

Quando se chega ao Ensino Superior, há uma invasão de expectativa e de autonomia. É necessário pesquisar, trabalhar em grupo, ir para a biblioteca sozinho, lidar com as mais variadas situações em sala de aula. Quanto mais isso é feito durante o secundário, mais se consegue ter sucesso no Ensino Superior.
As Instituições já esperam que os alunos tenham a capacidade não só de estudar, mas muito de resolver problemas, pensar fora da caixa, ter autonomia… Quanto mais isso vai sendo treinado ao longo do básico e secundário, melhor.

 

QUANTO ÀS PROVAS NACIONAIS E A ESSE FORMATO DE AVALIAR CONHECIMENTOS, O QUE PODE AINDA MELHORAR?

Os exames têm de avaliar aquilo que foi aprendido. Se estamos a ter alterações curriculares (ao nível de um currículo que alia competências a conhecimentos), é óbvio que os exames também farão, progressivamente, esse caminho.
Ainda assim, olhando para os exames como eles já são, encontramos essa pluralidade de fatores a explorar. Provavelmente não há a consciência de que essa parte já lá está – mas a verdade é que está.
Mais do que provas dedicadas (na lógica “Agora vou avaliar competências” ou “Agora vou avaliar conhecimentos”), há que avaliar o desempenho. Não existe competência que não seja criada em cima do conhecimento… E o conhecimento não vale de nada se não for transformado em ação!

 

O DECRÉSCIMO DAS TAXAS DE RETENÇÃO E DE ABANDONO ESCOLAR TEM SIDO UMA TENDÊNCIA OBSERVADA. A QUE SE DEVEM ESSES BONS INDICADORES?

A muitos fatores! Para começar, ao trabalho empreendido nas escolas. O primeiro mérito é dos alunos, professores e famílias escolares.
Depois claro, existem políticas direcionadas a este fim.
Há uma espécie de compromisso na educação, de há muitos anos para cá, de mostrar que a Retenção não é uma boa solução. Ao olharmos para os dados, entendemos que o aluno que reprova é, tendencialmente, o aluno que volta a reprovar. Enquanto medida pedagógica – que tem como princípio manter o aluno mais um ano, para que no final ele já seja capaz – não há evidências que as suportem.
Também não nos interessa transformar o chumbo numa passagem administrativa – o que queremos é que os alunos aprendam, de facto. E temos feito por isso. Lançámos o programa nacional de promoção do sucesso escolar, com um olhar muito dirigido às necessidades de cada aluno e à deteção (o mais precoce possível) de problemas. Há medidas transversais (como a implementação do pré-escolar aos 3 anos, o trabalho na área da educação mais inclusiva), mas há outras locais, micro e até comunitárias. Se um aluno tem dificuldades porque em casa não tem condições, o problema não é só da escola. Esta boa tendência resulta de um trabalho concertado que já tem vindo a acontecer há algumas décadas. Embora ainda tenhamos um problema sério de insucesso escolar, temos um caminho contínuo de melhoria.

 

DE QUE FORMA SE TEM PROCEDIDO À VALORIZAÇÃO DO ENSINO PROFISSIONAL?

Temos várias frentes de atuação. Uma delas é, quer no discurso quer na legislação, rejeitarmos claramente a ideia de um olhar secundarizante sobre o ensino profissional ou o ensino artístico especializado. São vias de pleno direito e que ainda são muito pouco conhecidas pela sociedade.
Temos mais de 150 cursos, mas continua a parecer que existem só quatro – mais o profissional. É importante conhecer o catálogo, estudar a oferta. Há cursos com níveis e trabalhos admiráveis que os alunos desenvolvem. É uma via pouco conhecida e, por essa falta de conhecimento, acaba por se criar uma representação negativa em torno dela. Temos investido na orientação vocacional e feito um trabalho de eliminação de algumas barreiras que existiam para os alunos que terminavam esses cursos e queriam ingressar no Ensino Superior.

 

QUER DEIXAR UMA MENSAGEM FINAL ÀQUELES QUE VÃO ESTE ANO FAZER OS EXAMES?

Sim! Muita calma, muito estudo. Encarem o exame como um dia igual aos outros. Quem sabe, não precisa de ir nervoso… E ainda têm uns meses para se preparar!
É trabalhar até lá mas, sobretudo, encarar esta prova como algo normal. Como andar de bicicleta: quem sabe, pega na bicicleta e anda.
Não se prepara para andar de bicicleta naquele dia específico!

 

 

 

 

[Fotos: Cedida pelo entrevistado e Unsplash]

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