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Prémio FAQtos. Um projeto para todos os cursos

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Se calhar já ouviste dizer que não convém deixar o telemóvel no bolso porque pode causar infertilidade. Isto pode não acontecer a toda a gente, mas a verdade é que a exposição a radiação eletromagnética pode causar problemas: Dores de cabeça, insónias, irritabilidade ou mesmo depressão. O Projeto FAQtos foi desenvolvido para informar sobre estes problemas, reduzir o seu impacto e trabalhar a radiação de forma a torná-la mais útil e menos perigosa.

Começou em 2002 enquanto Projeto monIT, mas em 2013 passou a Projeto FAQtos e a ser desenvolvido pelo INOV – INESC Inovação/Instituto Superior Técnico. Todos os anos, este projeto dinamiza o Prémio FAQtos, dirigido aos estudantes do Ensino Secundário. E todos podem participar: Não é exclusivo de qualquer curso ou disciplina.

O que é o Prémio FAQtos?
Este é o prémio que tem como objetivo premiar os melhores projetos que pensem, desenvolvam e concretizem soluções alternativas para a exposição a radiações eletromagnéticas. Não tem de ser algo tecnológico, e a prova disso é que um dos projetos finalistas pertenceu a alunos que realizaram um filme sobre a história das comunicações nos Açores.

O ano passado, o tema do Prémio FAQtos era Aplicando as RF</em (Radiofrequências), e a equipa vencedora desenvolveu o Smoke The Fire, um aparelho eletromagnético que deteta fogos e alerta os bombeiros sobre a sua localização.
Este ano, o tema é A Sociedade e as RF e quem sabe se não serás tu o próximo vencedor.

O que é preciso para concorrer ao Prémio?
Não tens de ser da área das ciências nem de eletrónica para participares, tens apenas de estudar no Ensino Secundário. Podes concorrer a nível individual ou num grupo de até 5 pessoas, mas têm de ser todas da mesma escola e ter idades compreendidas entre os 14 e os 25 anos. Não há limite para o número de participações numa escola, mas tem de haver um professor responsável pelo projeto, podendo este dividir a sua atenção por mais do que um grupo.

Só agora é que soube do Prémio! Posso concorrer?
Claro que sim! Falámos com com um dos responsáveis pelo projeto FAQtos, o professor Luís M. Correia, que nos disse que “as equipas apenas têm que ter uma ideia do que pretendem fazer (com uma descrição de algumas linhas), e da constituição da equipa. Tudo o resto é para ser feito ao longo do ano letivo”.
As candidaturas para o Prémio decorrem entre 16 e 27 de outubro, por isso junta um grupo de amigos, façam uma sessão de brainstorming e candidatem-se.

Segundo o professor, para além de concretizar o projeto durante este ano letivo, as equipas têm de entregar um Relatório de Progresso até 2 de março de 2018, que não conta para a avaliação final, servindo essencialmente para que a organização perceba em que ponto estão na concretização da ideia. Na data de entrega dos projetos, a 11 de maio, este terá de ser acompanhado de um Relatório Final.

Quais são os prémios?
Dos 10 finalistas, cuja lista é divulgada a 15 de junho, apenas as 3 melhores equipas recebem prémios, mas o Projeto FAQtos cobre todas as despesas de transporte destas equipas para que todas compareçam à Cerimónia Final do Prémio. Para os alunos:
– O terceiro lugar recebe 500 euros;
– O segundo lugar recebe 1.000 euros;
– O primeiro lugar recebe 1.500 euros.
As escolas e professores dos vencedores receberão também prémios!

Este ano não vai dar, não tenho tempo… Posso concorrer para o ano?
Sem problema nenhum. Se participares pela primeira vez no 10º ano, podes continuar a participar nos anos seguintes, até concluires o Ensino Secundário. Segundo o professor Luís M. Correia, esta e a próxima edição já estão asseguradas no que a financiamento diz respeito. Se sentes que não tens conhecimentos suficientes ou que as ideias escasseiam, podes sempre aproveitar a edição de 2018/19.

Smoke The Fire. Aprende com os campeões
Vitaliy Davydovych, Diogo Albuquerque e Samuel Santos desenvolveram durante o ano passado o projeto Smoke The Fire, um dispositivo que deteta incêndios na sua fase inicial de formação, permitindo que os bombeiros atuem mais depressa e prevenindo assim problemas de maior escala.
Terminaram em junho o 12º ano em Ciências e Tecnologias na Escola Secundária de Oliveira do Bairro, no distrito de Aveiro, e esta não foi a sua primeira participação. Na edição de 2014/15 desenvolveram um projeto que lhes deu o 3º lugar neste concurso.

O primeiro projeto – ProperAir
Chamava-se ProperAir aquilo que, segundo o Diogo, “consistiu na criação de uma pulseira que tinha como objetivo detetar os gases constituintes da atmosfera e alertar para a existência de potenciais gases perigosos para a saúde humana”. O professor de Física Joaquim Almeida falou com eles em 2014 para os informar sobre o Prémio e, nesse mesmo ano, participaram. O tema era Agarra as RF e o projeto não foi logo aceite pelo júri, pois não o consideraram claro o suficiente. Conseguiram que o ProperAir continuasse na corrida pelo Prémio e, deixando para trás os outros dois projetos que vinham da mesma escola, alcançaram o pódio.

A Fénix – Smoke The Fire
Dois anos depois, voltaram a participar no Prémio FAQtos, com um novo projeto. Tendo em conta o perigo dos incêndios – que todos os anos devastam boa parte de Portugal – e os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas, o Samuel explicou-nos que este projeto “foi criado com o intuito de proteger a saúde biológica das nossas florestas e ajudar os bombeiros no combate aos incêndios, promovendo assim a proteção de habitats, vidas humanas e animais”. Mantendo a linha da proteção ambiental, o grupo decidiu seguir esta nova linha de investigação.

Os problemas
Este é um trabalho feito fora do período de aulas, o que implica muito tempo de estudo, investigação e experimentação extracurricular. Para além disto, a parte técnica foi um grande obstáculo, visto que tiveram de aprender a “desenhar circuitos eletrónicos, programar em variadas linguagens, moldar peças em 3D e soldar pequenos componentes nas placas de circuito impresso desenvolvidas”, algo que, como Diogo destaca, não se aprendia nas aulas.

A recompensa
O Vitaliy defende que esta experiência “fez com que o artista que eu era quisesse tornar-se mais que um simples artista. Acabei por seguir algo onde quero juntar não só a arte mas também a tecnologia”, diz o atual aluno de 1º ano da Licenciatura em Jogos Digitais e Multimédia na Escola Superior de Tecnologia e Gestão no Instituto Politécnico de Leiria. Não só ele, mas todos os membros do grupo afirmam que esta experiência os ajudou a perceber realmente o que queriam fazer. Por isso, de certa forma, o Prémio FAQtos pode ajudar-te a entrar no Ensino Superior.

Os conselhos
Este não é um projeto para o qual se deva ir de ânimo leve, até porque envolve um tema muito sério e um grande painel de jurados, que vão avaliar todos os projetos submidos a concurso. No entanto, no final compensa sempre, mesmo que não se ganhem prémios. O Samuel afirma que o importante é ir ao concurso, porque se aprende muito. O Diogo, por outro lado, pede apenas que te divirtas, e que não tenhas medo das barreiras durante o ano porque vais surpreender-te com aquilo que és capaz de fazer. O Vitaliy remata com o facto de que não te podes deixar ir abaixo por causa das derrotas, pois eles tiveram muitas, mas foi porque realmente acreditavam no seu projeto que conseguiram alcançar a vitória.

[Reportagem: Afonso Alexandre]
[Fotos: FAQtos]

Este artigo faz parte da edição 56 da revista Mais Educativa (outubro). Para teres acesso à revista completa clica aqui!

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