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Sou gay. E agora?

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Com a chegada da adolescência acontecem os primeiros namoros, as atrações físicas e os sentimentos amorosos. Por vezes existe até alguma pressão social para arranjares um parceiro, seja através dos teus amigos ou da tua família. É comum os rapazes arranjarem namorada e as raparigas terem um namorado. Mas e se descobrires que tens interesse ou que gostas de uma pessoa do mesmo sexo?

Nesse caso, deves começar por procurar dentro de ti a resposta para a mais importante das perguntas: É mera curiosidade o que sentes, ou tens mesmo uma orientação sexual diferente da da maioria das pessoas? Poderás até sentir vontade de experimentar estar com rapazes e com raparigas… Curiosidade, homossexualidade ou bissexualidade – qualquer que seja a tua orientação, ela é perfeitamente normal.

A partir daí, deverás trabalhar na aceitação. E não estamos a falar apenas dos outros, mas também da tua própria aceitação de ti mesm@. Na sociedade atual, ainda é frequente ouvirem-se comentários discriminatórios e reações de desaprovação, antes ainda de te assumires publicamente. Mas lembra-te: É a maneira como te sentes contigo mesm@ que vai ditar o que está certo ou errado, porque o mais importante é identificares-te com as opções que tomas.

A homossexualidade: um processo de mudança
A sociedade é resistente à mudança, e quem é diferente da grande maioria é normalmente quem o sente mais. Nas questões da orientação sexual, há igualmente muito trabalho a fazer. Há 40 ou 50 anos atrás, este era um tema completamente tabu e poucas eram as pessoas “a sair do armário”. Hoje em dia existem associações, debates e verdadeiros movimentos em torno do respeito pelos direitos e igualdade das lésbicas, dos gays e dos transsexuais, mas também ainda há uma fatia da sociedade a preservar as visões de antigamente, e a segregar estes grupos.

Se fores ao Google e fizeres uma pesquisa, vais encontrar notícias como estas:
– Portugal entre os países que mais protegem lésbicas, gays e bissexuais [in Público, 15 de maio de 2017];
– Duas alunas beijaram-se, a escola não gostou e os colegas saíram em sua defesa [in TVI24, 24 de maio de 2017)];
– Ministério considera “inaceitáveis” declarações do Colégio Militar sobre homossexualidade [in Observador, 6 de abril de 2017].

Estes e outros exemplos mostram que, aos poucos, a transformação da sociedade se vai dando e vai sendo cultivado o respeito pelas opções sexuais de cada um.
Contudo, como já te dissemos, mais importante do que a aceitação social é a tua capacidade de te sentires bem contigo mesmo.

Como lidar comigo e com os outros?
Não há fórmulas mágicas ou regras a seguir. A tua sexualidade é algo íntimo e que não deve explicações. No caso de te quereres assumir perante os teus amigos e a tua família, deves preocupar-te em avaliar o contexto em que estás inserido: Se ele for positivo, aborda o assunto de forma impessoal e presta atenção às reações que recebes.
De uma forma geral, há hoje em dia uma maior sensibilidade em relação ao assunto, e a visibilidade que esta questão tem tido na opinião pública e nos órgãos de comunicação social tem ajudado à diminuição progressiva dos indicadores de homofobia.

“Mais difícil do que lidar com quem somos é lidar com a discriminação dos outros. Cada vez mais as pessoas se podem exprimir livremente. É um caminho que estamos a percorrer e que também tem sido impulsionado pela conquista de direitos.”
Telmo Fernandes, Coordenador de Projetos Educativos da Associação ILGA (Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo)

Tu não estás sozinho!
Há muitas pessoas como tu, e que também se podem encontrar numa situação frágil, ao sentirem que ninguém as compreende. Mas há várias formas de te “encontrares” e de seres tu próprio. A Mais Educativa falou com Maria Joana Almeida, psicóloga clínica e terapeuta sexual, que afirma que é cada vez mais importante procurarmos ajuda na psicologia especializada, quando necessário: “Geralmente, os jovens homossexuais que vêm ter comigo sentem-se confusos em relação à sua orientação sexual porque acham que as suas preferências afetivas não condizem com aquilo que “é esperado” pela sociedade.” Ao mesmo tempo, a profissional acredita que há cada vez uma maior aceitação, o que envolve mudanças de mentalidade e um grande trabalho social.

“Hoje ouve-se muito ‘Ser gay é uma moda!’, o que não é verdade… Apenas aumentaram os direitos das pessoas que podem viver, sendo elas próprias.”
Maria Joana Almeida, psicóloga clínica e terapeuta sexual

Ao mesmo tempo, existem várias instituições que promovem a integração social e o respeito pela orientação social:

A Associação ILGA Portugal
A ILGA é uma associação de defesa dos interesses das pessoas LBGTI (lésbicas, bissexuais, gays, transsexuais e interssexo), onde se luta pelo cumprimento do princípio da igualdade e do respeito, independentemente da orientação sexual, expressão de género e identidade, ou características sexuais.
Fundada em 1995, é a associação mais antiga de defesa dos direitos LBGTI em Portugal e atua a nível nacional.

De que forma me pode ajudar?
A ILGA procura quebrar o isolamento nos jovens LGBTI que normalmente se encontram mais vulneráveis por ainda não terem condições de autonomia e independência, através de:
Atividades comunitárias – como o Arraial Pride ou o voluntariado, por exemplo;
Serviços de aconselhamento psicológico e de apoio a vítimas;
Linha de apoio LGBTI.

“Recebemos contactos de todas as faixas etárias e denúncias com caráter anónimo e confiencial, nomeadamente no nosso Observatório de Discriminação – onde qualquer pessoa que possa ter sido vítima ou testemunha de discriminação em função da orientação sexual pode relatar a situação em anónimo”, explicou-nos Telmo Fernandes, da Associação ILGA Portugal.

A ILGA também tem uma equipa de psicólogos com formação específica e orientada ao apoio de pessoas LGBTI. Maria Joana Almeida é uma das terapeutas que faz parte da rede de psicólogos da instituição e relata que, por vezes, recebe jovens com dificuldades emocionais, sobretudo quando a família não aceita a sua orientação sexual: “Eu trabalho com a terapia afirmativa, para ajudar a pessoa a fazer a sua autodescoberta e a explorar a sua sexualidade.”

Rede Ex Aequo
A Rede Ex Aequo é uma associação portuguesa de jovens lésbicas, gays, bissexuais, trans, intersexo e apoiantes, com idades compreendidas entre os 16 e os 30 anos. O objetivo é apoiar estas pessoas e trabalhar na informação social relativamente às questões de orientação sexual, de identidade e de expressão de género.

A associação tem núcleos de apoio, de ativismo e de convívio (Lisboa, Porto, Braga e Funchal) e vai às escolas secundárias de todo o país esclarecer as tuas dúvidas com o Projeto de Educação LGBTI.

Como lidar com o bullying homofóbico
Esta é uma forma de bullying motivada pelo preconceito em relação à orientação sexual ou identidade de género de outra pessoa – seja essa pessoa homossexual, heterossexual, bissexual ou transsexual.
André Faria, vice-presidente da Rede Ex Aequo, diz que nestes casos o melhor é mesmo denunciares a situação. “Não devem calar, aceitar e fingir que não aconteceu nada porque isso perpetua a situação. Denunciem no Observatório do nosso site, falem com os professores… As escolas têm de se responsabilizar”.

“Procurei a ILGA principalmente para ter um papel colaborador com a comunidade LGBTI, no sentido de poder acompanhar pessoas que necessitam de ajuda, para que se sintam integradas e aceites na sociedade e nas suas famílias, pois nem sempre as condições são as mais favoráveis.”
Cíntia, estudante

“Queria aprender mais sobre a nossa comunidade para saber respeitá-la nas suas diferenças e igualdades e para saber defender qualquer um de nós, em qualquer momento. Acima de tudo, quero estar o mais informado possivel para poder ser uma verdadeira ajuda, tanto para mim como para os outros.”
Miguel, estudante

No final do dia, o importante é mesmo não esqueceres que nada na tua orientação sexual pode ser qualificado como estando certo ou errado. O que importa é que aquilo que fazes seja realmente verdadeiro.

[Reportagem: Mariana Morais]

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