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Guia de Acesso ao Ensino Superior 2017

Capacidade de raciocinar

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É ela que faz a diferença quando a Matemática é a tua área de formação. Esta é a opinião de Joana Estevens, que já fez uma licenciatura e um mestrado, e está neste momento a tirar um doutoramento enquanto trabalha na área. No trabalho aprendeu que a resposta nem sempre está acessível, mas não tem dúvidas: se gostas de raciocinar e de lógica, este é o curso para ti.

Nome:
 Joana Estevens
Empresa e Atividade:
 Atuária não vida na Fidelidade
Formação: Licenciatura em Matemática na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e Mestrado em Matemática Financeira no ISCTE-IUL; a frequentar o Doutoramento em Estatística e Investigação Operacional na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa

Que atividade(s) profissional(is) desempenha atualmente?

De momento sou atuária não vida, na área de pricing, na Fidelidade. Participo na criação e alteração de produtos (especialmente do ramo automóvel) através do desenvolvimento de modelos preditivos.

Quando terminou a sua formação superior, imaginava ser a profissional que é hoje? Porquê?

Não. A área da Matemática é muito vasta e podemos enveredar por diversos percursos profissionais no final do curso. E apesar de ter gostado muito do meu, não saí de lá com uma ideia concreta do que iria ser o meu futuro profissional. Entrei para a Fidelidade sem saber ao certo o que iria fazer.

“É preciso estar preparado para estudar ao longo da vida. Os modelos matemáticos estão sempre a evoluir e é necessário que acompanhemos essa evolução.”

De acordo com a sua experiência, o que é que é mais importante aproveitar/reter numa licenciatura, tendo em conta o profissional que se quer ser no futuro?

No caso da Licenciatura em Matemática, penso que o mais importante é a capacidade de raciocinar. É preciso olhar para as tarefas do dia a dia como um desafio e tentar encontrar novas maneiras de abordar problemas antigos. Também é preciso estar preparado para estudar ao longo da vida. Os modelos matemáticos estão sempre a evoluir e é necessário que acompanhemos essa evolução.

E o que é que é mais importante na transição da universidade para o mercado de trabalho?
A transição para o mercado de trabalho é um salto enorme. Tudo se altera na nossa vida. Mas penso que o mais importante é o sentido de responsabilidade e a maturidade. Muitos estudantes estão habituados a faltar a uma aula de vez em quando se tiverem sono, ou a não estarem atentos numa dada aula porque algum colega tem uma novidade para contar, etc. Mas no mundo profissional nós temos de estar lá sempre (exceto nos poucos dias de férias que temos, comparativamente com as férias escolares). E não interessa se dormimos mal ou se tivemos um jantar com um amigo que não víamos há muito tempo. Temos de estar extremamente atentos porque podem pedir-nos um projeto altamente complexo a qualquer altura.

Que papel atribui à sua formação superior para hoje ser um bom profissional? De que forma é que o preparou?

Eu sinto que a minha formação superior foi muito importante. É verdade que também aprendi imensas coisas quando dei início à minha atividade profissional, mas se não tivesse tido uma boa formação matemática jamais conseguiria acompanhar o ritmo do meu trabalho. É preciso perceber muito bem estatística para se ser um bom profissional na minha área.

E o que é que não se aprende no curso que o trabalho e a vida acabam por ensinar? O que vão os jovens encontrar no mundo profissional?

Na faculdade os enunciados estão feitos para as respostas serem de determinada maneira. Na vida real as coisas não são assim. Às vezes é preciso despender imenso tempo para que consigamos ter dados que sejam “trabalháveis”. E às vezes não o conseguimos fazer. Ou então conseguimos e os resultados são inconclusivos. Quero com isto dizer que o mundo do trabalho pode ser frustrante, e é importante saber lidar com o facto de nem sempre conseguirmos alcançar o que gostávamos. E mais importante ainda é pesquisar e estudar novas maneiras de fazer as coisas.
Por vezes podemos sentir-nos um pouco desamparados, mas é algo que nos ajuda bastante a crescer como profissionais e como pessoas.

Que conselhos pode dar aos jovens que estejam indecisos na escolha desta área de formação?

A Matemática do Ensino Secundário é muito diferente da Matemática do Ensino Superior, e talvez por isso haja uma taxa de desistência muito grande. Mas a Matemática também é um gosto adquirido: quanto mais sabemos, mais queremos aprender. Se um aluno gosta de raciocinar e de lógica, então este é o curso certo. Para além disso, posso acrescentar que a Matemática é das poucas áreas que em Portugal tem uma empregabilidade muito próxima dos 100%.

[Foto: cedida pela entrevistada]

Esta entrevista é parte integrante do Guia de Acesso ao Ensino Superior 2017/18 da Mais Educativa, disponível para consulta aqui.

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