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Porquê um curso profissional?

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Portugal tem como objetivo aumentar o número de alunos em cursos profissionais. Mas afinal porque está toda a gente a falar neste tipo de ensino? Quais são os seus objetivos e que mais-valias traz? A Mais Educativa foi falar com vários estudantes, que te falam sobre a sua experiência.

Porquê um curso profissional?
Há quem saiba, desde cedo, o que quer fazer “quando for grande” e o curso que quer tirar. Outros não. Da mesma forma que há quem se forme numa determinada área e fique a trabalhar nesse setor durante toda a vida, e quem perceba mais tarde que não tomou a melhor opção formativa e comece de novo. Serve isto para dizer que as vias formativas podem (e devem) divergir consoante o perfil de cada um de nós. E por isso é que existem vários tipos de formação.

O Ensino Profissional tem como objetivo proporcionar uma aprendizagem essencialmente prática, e muito orientada para o mercado de trabalho. Podes escolhê-lo desde cedo, como fez a Beatriz Boiças, aluna do Curso Profissional de Técnico Instalador de Sistemas Térmicos de Energias Renováveis no Agrupamento de Escolas de Silves, que fez a sua opção “no 9º ano, porque estava relacionado com a área de que gostava”. E se tiveres contacto com uma área ou profissão desde muito cedo? Também pode ser uma boa razão, conforme explica o Bruno Dias, do Curso Profissional de Refrigeração e Climatização no IEFP Coimbra: “Quando tive que decidir entre as Ciências e as Humanidades, espreitei a via profissional e fiz alguma pesquisa. Como já tinha tido experiências na área de refrigeração e tinha interesse pela profissão, inscrevi-me num curso que lhe era relacionado.”

As motivações para escolheres um curso profissional podem ser muitas. Sentes-te desmotivado na escola? As notas não são as melhores? Para o Edgar Lucas, aluno do Curso Profissional de Técnico de Manutenção Industrial no CENFIM – Núcleo de Torres Vedras, foi preciso mudar: “A escola nem sempre corria bem e os meus resultados não eram os melhores, e na altura em que tive que decidir se era mesmo aquilo que queria, o Ensino Profissional suscitou-me interesse e acabei por me inscrever.”
Também há quem comece a trabalhar – por vontade ou por necessidade – e desperte para o mundo das profissões. Foi o caso da Melodie Rodrigues, aluna do Curso Profissional de Técnico de Vitrinismo na Escola de Comércio de Lisboa, que ficou a repetir Matemática A de 12º ano, e “para não ficar o ano todo a estudar apenas para uma disciplina”, arranjou “um emprego numa loja de roupa”. Com a primeira experiência no mercado de trabalho ganhou “novos conhecimentos e gosto pela área” e começaram a surgir “dúvidas sobre o que fazer no futuro”, sendo que “nenhum curso superior” a fascinava. A opção lógica foi “um curso profissional”, com o qual se identificou e que tinha “muita prática e novas experiências”.

Há ainda quem tenha enveredado antes pelo mundo das profissões. A Nádia Lima é colega de curso da Melodie, e veio de “um curso vocacional básico” que lhe permitiu “ter acesso a três ‘profissões’ ao longo de um ano letivo”. E esse contacto com uma profissão numa fase tão precoce da sua vida, logo no ensino básico, permitiu-lhe “escolher com maior facilidade o que queria seguir”, e a opção pelo Ensino Profissional tornou-se “algo natural”.

Os objetivos de quem estuda
Se tiveres oportunidade, fala com alunos do Ensino Profissional, e verás como no léxico de cada um deles encontras bem vincadas as palavras “emprego” e “mercado de trabalho”. Todos eles têm um pensamento muito orientado para a aplicação prática do que estão a estudar, para o que pretendem fazer com o seu futuro.
Perguntámos aos vários estudantes com quem falámos quais são os seus objetivos académicos e profissionais, e todos eles tiveram algo de concreto a dizer. É o caso da Filipa Beirão, aluna do Curso Profissional de Turismo na Escola Secundária Daniel Sampaio, que não tem dúvidas que o seu futuro passa por “continuar a trabalhar na área do Turismo, seja num hotel, no ramo do alojamento ou na receção”. Apesar disso, não quer descurar os estudos: “Vou continuar a apostar na minha formação, pois acho que é importante continuar a estudar”. Esta é uma característica que também é comum aos alunos do Ensino Profissional, como nos comprovou, por exemplo, o Edgar Lucas: “Apesar de ainda estar indeciso na área a seguir, pondero continuar os estudos em horário pós-laboral. Para além disso, quero entrar no mercado de trabalho na área da manutenção.”

Outra das realidades muito próximas dos alunos da formação profissional é… o emprego. Sendo uma das mais-valias deste tipo de formação o contacto com o mercado de trabalho e a experiência em contexto de trabalho, acaba por ser natural aparecerem oportunidades de emprego desde muito cedo. É o caso do Bruno Dias, a quem foi oferecida “uma oportunidade de trabalho na Climábitus”, local onde estagiou, mal terminou o curso. Algo que não invalida a sua preocupação com o estudo: “Quero tirar mais formações, aprofundar o meu conhecimento, e quem sabe abrir uma empresa daqui por uns anos.”

No âmbito do Ensino Profissional, há ainda quem queira complementar a sua formação com uma experiência no estrangeiro. A Melodie e a Nádia têm como objetivo “fazer parte do Programa Erasmus+ e estagiar durante 6 meses numa empresa”, para que possam “aprender com as pessoas que já têm experiência”. E ainda que possam arranjar emprego rapidamente, estas duas jovens têm bem presente que “é importante mesmo assim ir fazendo pequenas formações que complementem a nossa aprendizagem”.

As mais-valias
Para além dos chavões “formação prática”, “contexto de trabalho” ou “relação próxima com o mercado de trabalho”, o que têm a dizer os alunos do Ensino Profissional sobre o seu curso? Afinal, o que é que se ganha ao optar por este tipo de formação, e que mais-valias existem?

“Terminamos o 12º ano preparados para uma vida profissional”, disse-nos a aluna Beatriz Boiças. Na sua opinião, no Ensino Profissional adquirem-se “os conhecimentos básicos sobre uma determinada profissão antes mesmo de se entrar para a universidade”.
O Bruno Dias também teve algo a dizer sobre o assunto: “O Ensino Profissional é muito importante para os jovens e para o país. Permite-nos aprender com pessoas que tem uma vasta experiência profissional e com ele podemos ter a parte teórica e a parte prática, e ainda um estágio que nos permite pôr as mãos na massa.”
É por isto, ainda na opinião do Bruno, que os alunos da formação profissional têm acesso a mais propostas de trabalho: “Somos especializados numa determinada área, e cada vez mais empresas procuram pessoas especializadas e competentes.”

Outra das vantagens deste tipo de ensino é a capacidade que os seus formandos vão ganhando de se conhecerem a si próprios e de construírem o seu perfil, conforme nos contaram a Melodie e a Nádia: “Estamos em contacto constante com as empresas, através de formações em contexto de trabalho e de várias outras atividades, o que nos acrescenta conhecimentos sobre o mercado de trabalho, permitindo que façamos escolhas profissionais com base no nosso perfil e nas necessidades do mercado”.

Estás a pensar seguir um curso profissional?
Apostar numa formação profissional é uma das opções que colocas para o teu futuro próximo? Estás hesitante porque não sabes se é a escolha mais adequada ao teu perfil? Perguntámos aos seis alunos com quem falámos o que te diriam se tivessem de te aconselhar, e estas foram as respostas:

“Diria que não é tão fácil como parece, mas oferece uma boa perspetiva de futuro. Terminas o 12º ano e tens o mercado à tua espera.”
Beatriz Boiças

 

 

 

 

“Sem dúvida que aconselharia a opção por um curso profissional. Diria mesmo que seria a melhor escolha da tua vida, porque terias muita prática dentro do curso e ganharias imensa experiência profissional.”
Filipa Beirão

 

 

 

“Eu aconselharia o ingresso no Ensino Profissional, dependendo muito de cada caso. Diria para aproveitares todas as experiências que o curso te proporciona e para te aplicares, porque se o teu objetivo é especializares-te numa determinada profissão, aqui terás todas as condições para o conseguires.”
                                                             Bruno Dias

“Para se entrar num curso deste género tem de haver um querer e um gosto no que se faz. Ir por ir não vale a pena e muito menos se fores contrariado! Se isso existir dentro de ti, então aposta em força porque a formação profissional é do melhor e mais enriquecedor que podes encontrar. E o teu futuro pode estar lá!”
Edgar Lucas

 

 

 

“Queres entrar no mercado de trabalho o mais depressa possível? Então opta pela formação profissional! Vais ter muito trabalho pela frente, mas é uma modalidade de ensino que poderá dar-te grandes oportunidades no futuro. Terás de trabalhar muito para seres um bom profissional, e é importante que nunca te esqueças de ser humilde e de deixar portas abertas para o futuro.”
Melodie Rodrigues

 

O Ensino Profissional é uma oportunidade única que te vai fazer crescer como pessoa e como profissional.”
Nádia Lima

 

 

 

Um Campeonato das Profissões
No Ensino Profissional, mais que aprenderes um ofício, podes ser um verdadeiro campeão da tua profissão. É para isso que foram criados os Campeonatos das Profissões, uma iniciativa da responsabilidade do Instituto de Emprego e Formação Profissional que, de dois em dois anos, apura o campeão nacional de cada profissão.
Os campeões da fase nacional candidatam-se ainda a uma participação nos Campeonatos Europeu e Mundial das Profissões, organizados, respetivamente, pela WorldSkills Europe e pela WorldSkills International.

O Bruno Dias e o Edgar Lucas foram campeões nacionais nas suas profissões, vão tentar a sua sorte no Campeonato do Mundo das Profissões em Abu Dhabi, e contam-te por que razão participaram neste concurso.

Quais foram as tuas motivações para concorreres ao WorldSkills?
O meu professor já levou muitos jovens a este campeonato, e explicou-me numa simples conversa o que era e como funcionava, desde a fase regional à nacional, europeia e mundial. Na altura tinha 16 anos, estava a tirar o meu curso e podia participar, pesquisei, gostei e decidi participar.
Bruno Dias

Começou num convite do meu formador, que sempre foi uma referência em todo o meu percurso. Decidi aceitar para ver como seria a experiência, e acabou por correr bem porque estou a fazer uma coisa de que gosto. A minha maior motivação e a vontade que tenho em querer saber mais também foram fundamentais!
Edgar Lucas

[Reportagem: Tiago Belim]
[Fotos: cedidas pelos entrevistados]

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