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Futurália 2017

DJ Ride: O maior no scratch!

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Ele começou bem cedo, e veio de um meio pequeno para se tornar campeão do mundo de scratch, e um dos melhores DJ’s portugueses. Este mês vais ter a oportunidade de o conhecer, e nós fomos descobrir tudo sobre ele e sobre aquilo que podes esperar da presença do DJ Ride ao vivo na Futurália!

Escolher ser-se DJ tem só a ver com o gosto pela música, ou a componente da noite e da festa também desempenha um papel importante? No teu caso, como foi?
No início, de forma alguma! Eu era a antítese do DJ: Não saía, não bebia… Sempre fui uma pessoa mais reservada e passam-se muitos fins de semana nos quais não toco e fico em casa ou no estúdio! Eu contrario um bocado aquela noção do DJ que é ‘granda’ maluco e que está sempre na noite até às tantas, e do que eu gosto mesmo é de criar música. Sempre vi o potencial do DJ como produtor e como músico que faz scratch numa banda, e sempre fui fascinado pelo poder que dois pratos e uma mesa de mistura podem ter.
Lembro-me que nos meus primeiros projetos pertenci a um grupo de rap que só tinha um MC e um DJ, e a uma banda rock composta apenas por bateria, guitarra e scratch, e que na altura gostava era de provar às pessoas que o DJ também podia ser um músico. Só mais tarde é que comecei a pôr som em festas.

“Dantes bastava ser-se bom a pôr som, agora tens de ser bom a fazer música, a promover o teu trabalho e a mexer nas redes sociais. Destacares-te passa muito pelos vídeos que fazes e pela tua presença online.”

Para ti, o produtor, o gajo que faz scratch e o tipo que vai pôr som numa discoteca são todos DJ’s?
São coisas bastantes diferentes, mas para mim o DJ pode ser muita coisa. Pode ser alguém que leva uma pen ou uns cd’s para passar música numa festa, e aí é um DJ mais simples e convencional, e depois há o DJ de scratch, o de drum’n’bass, o de techno… Há vários tipos, mas eu diria que os principais são o DJ normal, o DJ de hip-hop (que geralmente faz scratch e tem uma veia de competição) e o DJ produtor (costuma ser a via para terem a sua música à venda ou a passar na rádio). E na minha opinião, há espaço para toda a gente.

Compraste a tua primeira mesa de mistura aos 16 anos, depois de teres ganho uns trocos num emprego de verão. Na altura, o material era muito caro… Hoje em dia ainda é assim? Ou os jovens têm acesso mais simples ao equipamento?
É muito mais fácil! Posso separar o equipamento disponível em duas partes: Se quiseres apenas passar som e ter uma experiência, há muito software e controladores bastante acessíveis; por outro lado, numa onda mais EDM, podes comprar uma mesa de mistura barata; no scratch, é mais raro haver pessoal a interessar-se, mas também é simples encontrares gira-discos, pratos e vinis, porque há mais material em segunda mão. É uma questão de andares à procura…

Por um lado é ótimo as coisas serem mais acessíveis, por outro é cada vez mais difícil destacarmo-nos…
Sim. Quando eu comecei éramos menos, e hoje para te destacares e criares música tua enfrentas um mercado muito mais competitivo, até por uma razão muito simples: Os DJ’s passam de tudo um pouco, e mesmo num DJ de hip-hop ouves hip-hop mas também ouves reggae, house, drum’n’bass… Isso significa que muita gente passa os mesmos estilos de música e que há uma competição mais renhida, por isso destacares-te passa muito pelos vídeos que fazes e pela tua presença online. Dantes bastava ser-se bom a pôr som, agora tens de ser bom a fazer música, a promover o teu trabalho e a mexer nas redes sociais.

Vens de um meio pequeno, começaste a tocar e a produzir sozinho… Na tua opinião o que é que te fez dar o salto e começar a ser ouvido por muita gente?
Foi, sem dúvida, a participação em competições. A primeira foi em 2005, de âmbito nacional, que tentei aproveitar ao máximo e para a qual me preparei muito bem, e que me permitiu tornar o meu nome mais conhecido entre as pessoas do meio e um pouco por todo o país; depois dessa, o campeonato mundial em 2011, que ganhei com o Stereossauro.
Pelo meio, a edição do meu primeiro disco em 2007 e o concerto no festival Sudoeste em 2010 também ajudaram muito!

“Na Futurália, vou ter câmaras em tempo real para que possam ver como faço scratch e como uso o sampler e a mesa de mistura, e o video scratch vai permitir-me misturar referências do pessoal mais velho e do pessoal mais novo!”

Em relação ao campeonato do mundo… Ok, é imponente ouvir falar numa vitória a nível mundial, mas que impacto prático teve isso na tua carreira?
Em primeiro lugar senti uma realização pessoal muito grande, sobretudo em 2016 onde ganhámos o segundo título mundial, onde senti que fechei um ciclo que tinha começado em 2011, até porque já tínhamos tentado voltar e tínhamos ficado várias vezes em segundo lugar. Depois, na prática, aparece mais trabalho, até porque os promotores de eventos que não te conheciam vão ouvir falar de ti. E em Portugal, mais concretamente, precisamos muito destas distinções no estrangeiro para sermos levados mais a sério…

E quem é o teu público? São jovens que gostam de ir a discotecas? São apreciadores de música ou consumidores mais imediatos?
Essa pergunta é engraçada, porque ao longo dos anos fui conseguindo perceber que o meu público é muito variado, e consigo separá-lo consoante o contexto. Tenho pessoas que me seguem há muito tempo, mais velhas, e que agora se calhar saem menos à noite; depois tenho fãs mais ligados ao hip-hop e ao scratch, que me conhecem pelos campeonatos; tenho público que me acompanha mais pela minha vertente de produtor, que não vai necessariamente às festas mas que ouve a minha música e compra os álbuns; e há ainda a malta à qual chego através das festas que são muito crossover – tanto toco em Queimas das Fitas como num clube mais pequeno, depois de um concerto de hip-hop ou a fechar uma noite de world music… E tento adaptar o meu set a cada tipo de evento e de público, porque é isso que um DJ a sério deve fazer, a meu ver.

Essa necessidade de adaptação torna mais difícil definir quem tu és ao vivo?
Não, não torna. Se calhar houve uma altura em que andava à procura de uma identidade, e em que percebi que se queria tocar em palcos maiores precisava de passar mais música eletrónica… Mas hoje em dia já se tornou normal um DJ de hip-hop passar esse tipo de música, e as pessoas também já sabem melhor o que esperar de mim. Claro que eu gosto bastante de explorar e de inovar, mas mantenho-me um DJ de música urbana e de hip-hop, onde misturo alguma eletrónica.

E é isso que vamos poder esperar de ti no teu concerto na Futurália?
Sim, sem dúvida! Claro que vou adaptar-me ao horário e ao contexto do evento, mas vou continuar a ser eu mesmo. E o vídeo vai ajudar-me bastante, porque vou ter câmaras em tempo real para que quem estiver mais longe possa ver os pormenores de como faço scratch e de como uso o sampler e a mesa de mistura, e o video scratch vai permitir-me misturar referências do pessoal mais velho e do pessoal mais novo, desde desenhos animados a videoclips conhecidos.
Acima de tudo, vou tentar que seja um espetáculo aliciante para quem me conhece e para quem não me conhece!

E como a Futurália é uma feira de educação, falemos do teu curso… Estudaste Som e Imagem na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, e em que é que essa formação te ajudou a seres o profissional que és hoje?
Acabei por completar apenas um ano do curso, porque o trabalho começou a acumular-se e fui obrigado a escolher. Mas aquilo de que gostei bastante foi o facto de, pela primeira vez, privar com pessoas do país inteiro, o que me permitiu fazer amizades e contactos que ficaram. Lembro-me também de fazer sonoplastia para um filme, algo acabei por aprofundar mais tarde, e são essas portas que se abrem e que acabam por fazer toda a diferença. Foi ali que descobri o meu interesse por áreas que desconhecia até então.

Só para terminar, o que andas a ouvir atualmente?
Muita cena drum’n’bass, Future, Travis Scott, Kanye West, Run The Jewels, Flying Lotus… Mas, provavelmente, amanhã dizia-te dez nomes diferentes destes. Aquilo que eu ouço eu incorporo nos meus sets, por isso a melhor dica é mesmo dizer-te para ouvires um set meu!

[Entrevista: Tiago Belim]
[Fotos: Aidan Kless e Rita Carmo]

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