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“Uma oportunidade de praticar e cuidar”

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Ter confiança nas capacidades e conhecimentos é “um ponto fulcral na prestação de cuidados”. E foi isso que o estágio trouxe a Beatriz Tomás Matos, atualmente Enfermeira de Cuidados Gerais.

estagiárioNome: Beatriz Tomás Matos
Empresa e Atividade: Enfermeira de Cuidados Gerais no Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, EPE – Hospital Egas Moniz
Formação: Licenciatura em Enfermagem na Escola Superior de Enfermagem S. Francisco das Misericórdias

Como surgiu a oportunidade de fazer este estágio?
No decorrer da licenciatura, são-nos concedidas várias oportunidades para realizar estágios curriculares em diversas áreas clínicas. No segundo ano da licenciatura, existe uma unidade curricular intitulada de “Prática Clínica em Serviços de Medicina”, que consiste num estágio num serviço de medicina de um hospital, onde um grupo pequeno de alunos, acompanhado por um professor da ESESFM, tem a oportunidade de praticar a matéria lecionada, ou seja, prestar cuidados diretos. No meu caso, estagiei no Serviço de Medicina do Hospital Egas Moniz, pertencente ao Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, EPE, que é onde me encontro a trabalhar como enfermeira neste momento.

“Ao longo da licenciatura adquirimos conhecimentos em várias matérias teóricas e práticas, no entanto destaco o conhecimento da relação de ajuda com o utente.”

Tendo em conta o teu curso, que mais-valias traz a realização de um estágio? E no seu estágio, concretamente, o que destacas?
A realização de um estágio aquando da formação de um Enfermeiro é de extrema importância. A prática clínica permite não só a consolidação de conhecimentos, como também a aquisição de novas valências. Apesar do aluno estudar, a título de exemplo, o que é a relação de ajuda, não vai entender a sua importância até a colocar em prática. O mesmo acontece com as técnicas – por exemplo, na técnica de puncionar uma veia, o aluno não percebe a importância de alguns passos. E como este há vários outros exemplos.
O estágio da Prática Clínica em Serviços de Medicina permitiu-me um desenvolvimento pessoal e profissional muito importante, para mim e para a minha formação. É um estágio muito desafiante, pela diversidade de casos clínicos que nos obriga a utilizar todos os conhecimentos teóricos e práticos, sendo que a dificuldade aumenta ao longo das semanas, que são dez no total. No entanto, aquilo que destaco é de facto o contacto com os utentes, as suas histórias de vida e a nossa intervenção enquanto enfermeiros no seu bem-estar.

O que é que aprendeste na sua licenciatura que se revelou fundamental para esta experiência profissional? E o que aprendeste no estágio que não aprendeste no curso?
Ao longo da licenciatura adquirimos conhecimentos em várias matérias teóricas e práticas, no entanto destaco o conhecimento da relação de ajuda com o utente. Assim como o conhecimento de técnicas: como colocar cateteres venosos periféricos, proceder a uma entubação nasogástrica, entre outros. A ESESFM fornece-nos todas as ferramentas para que tenhamos sucesso no estágio, essencialmente ao nível de conhecimento. Desta forma, a nossa aprendizagem muitas vezes sai fora do foro profissional e entra no campo pessoal. O que eu aprendi neste estágio foi essencialmente a ter confiança nas minhas capacidades e conhecimentos, que é um ponto fulcral na prestação de cuidados.

Em teu entender, do que precisa um jovem na transição da universidade para o mercado de trabalho?
Hoje em dia, o mercado de trabalho é muito competitivo, e anualmente saem das escolas milhares de recém-licenciados que concorrem para o mesmo local de trabalho. Assim, um jovem deve estar preparado para entrevistas de trabalho complexas, com perguntas de conhecimento teórico-prático e avaliações psicológicas, uma vez que se trata de uma ferramenta que vai facilmente eliminar candidatos com necessidade de poucos recursos. Por outro lado, deve adquirir capacidade de resiliência, uma vez que será confrontado com várias adversidades e possivelmente entrevistas de emprego sem seguimento.
Na ESESFM tivemos a oportunidade de ter algumas aulas de preparação, onde nos foi ensinada, por exemplo, a postura a ter numa entrevista de emprego, como apresentar um curriculum vitae, entre outros. Outra vantagem é que na ESESFM realizamos práticas clínicas em diversos locais e áreas, o que acaba por nos permitir não só formar uma rede de contactos, mas também apresentá-los no curriculum vitae.

Que desafios vão encontrar no mundo profissional, que não conheciam do mundo académico?
Os principais desafios são de automotivação e de procura de conhecimento. Isto porque enquanto realizamos uma licenciatura, temos um objetivo: terminá-la. E para tal é-nos fornecido o conhecimento teórico e técnico para o atingirmos. No entanto, após a entrada no mundo profissional, o objetivo já está concluído, e aí questionamo-nos qual a nossa próxima meta. Pode existir a facilidade de acomodação a um determinado local de trabalho e entrada num padrão técnico, sem procurar aprofundar conhecimento. E aqui surge o desafio da automotivação, da procura de algo mais. Existem, claro, vários outros desafios como a melhoria contínua do profissional, que hoje em dia é avaliado por auditorias de qualidade, e o desenvolvimento da capacidade de resiliência às condições de trabalho precárias que hoje existem.

[Foto: cedida pela entrevistada]

[Esta entrevista é parte integrante do Guia de Acesso ao Ensino Superior 2016/17 da Mais Educativa, disponível para consulta aqui.]

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